Bárbara, do blog Velocidade, realizando o sonho das 500 Milhas de Indianápolis

Aos 14 anos, Babi se deu conta de que não sonhava com o vestido rodado e pomposo da festa de debutantes, mas com o ronco do motor dos carros de Fórmula 1. Ela, que até tem carta de motorista, mas não encara o volante pelo nervosismo das vias paulistanas, não sabe como essa paixão começou – só que rende, desde então, muitos frutos, incluindo um blog, um podcast, amizades e muitos sonhos.

Não pense que esse gosto foi influência da família, que acompanhava as corridas de Ayrton Senna e olhe lá. Quando o ídolo se foi, eles desligaram a TV, como boa parte dos brasileiros, e a rotina aos domingos ganhou novo formato – pelo menos, até Babi se encantar pelo negócio.

A partir da temporada 97/98, a Fórmula 1 virou religião. Ela passou a acompanhar a vida dos pilotos, a comprar revistas especializadas e a colecionar as colunas dos jornais.  “Já deixei de ir em muitos eventos de final de semana para assistir corridas no domingo cedo ou até mesmo na madrugada”.

O conhecimento sobre o esporte aumentou junto com sua capacidade de sonhar. “A primeira vez que pisei no autódromo foi em 2003 para acompanhar uma prova da Fórmula Renault, categoria já extinta que revelava jovens talentos para o automobilismo. Estava com uma amiga da faculdade e foi uma experiência incrível. O que eu costumo falar para as pessoas é que elas têm que ter essa experiência ao menos uma vez na vida, pois é marcante!”.

O sonho seguinte foi bem mais audacioso e desafiador. “A maior loucura que fiz foi assistir as 500 milhas de Indianápolis ao vivo. Para uma pessoa que morria de medo de avião, superar essa fobia e viajar nove horas para assistir uma prova pode ser considerado um verdadeiro ato de bravura!”

Em 2006, Babi criou o blog Velocidade e aguentou o mimimi de quem ainda não entendeu que o lugar da mulher é onde ela quiser. “No começo, eu recebia comentários me mandando lavar louça ou ir para a cozinha”.

Como provou que sabia do que estava falando, começou a despertar a atenção. O primeiro contato foi feito por Thiago Raposo, que a convidou para cocriar o podcast  Café com Velocidade . “Bem receosa eu aceitei. A ideia era falar de automobilismo e comentar sobre o que estava acontecendo em algumas categorias. Há 11 anos a gente nem tinha um propósito; era mais uma experiência. Quando começamos a ter ouvintes, comentários e mensagens, sentimos que o projeto estava funcionando e a responsabilidade aumentou”. Hoje o podcast  conta com cinco integrantes e tem um objetivo claro: levar opinião embasada e aprofundada para os ouvintes, fugindo do que é óbvio e mostrando diferentes pontos de vista.

Para quem não tem a velocidade na veia como os 500 ouvintes por edição do podcast ou os 2 mil visitantes diários do blog, Babi explica o que a atrai nesse esporte. “Gosto das disputas e de acompanhar os pilotos, pois eles são realmente habilidosos e meio malucos. Eu tenho muito respeito pela coragem que todos têm de entrar em um carro de competição e acelerar, sem ter medo do que pode acontecer”.

A rotina dominical daquela adolescente virou um projeto de vida baseado em uma paixão. “Fórmula 1 é velocidade. É estar à frente do seu tempo, inovar, sempre buscar a perfeição e estar atento ao mínimo detalhe, porque um segundo é muito tempo e um milésimo pode custar muito caro. Assim, velocidade tornou-se uma marca na minha vida, não só por ser o nome do blog”.