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Livros na janela em São Roque (SP): o convite entre dois mundos

Antes mal existia uma porta, que sempre aberta, parecia invisível na casa de cômodo escuro, entulhado de roupas, papelão, móveis, objetos. Só depois da pandemia, a porta azul apareceu, espelhando o gentil céu de outono. Já não passa mais despercebida, com o colorido que impõe à rua vazia. Revelou-se também uma guardiã de segredos – não de itens materiais, mas de valorosas almas humanas.

A prova está colada na janela, em uma folha rasgada de uma agenda antiga, que ignora qualquer ordem e linearidade, da mesma forma que a vida. Talvez tenha sido para ampliar o recado, tão raro quanto tão comovente.

As palavras escritas por uma mão desconhecida e uma mente consciente convidam a um mergulho em um tesouro exposto ao sol, ao vento e à lua. Não há armadilhas para se desfrutar dessas joias, oriundas do século passado e aclamadas por multidões.

Para tocar nesses tesouros, apela-se somente ao coração, um ato de compaixão por outro ser vivo. Uma batida na porta azul basta para se completar a travessia entre um mundo e outro, entre o que está fora e o que está guardado dentro.