Em outros tempos, em uma outra época, a gente se encontraria em um café despretensioso, onde você notaria como brinco com a colher, só para acariciar o café amargo, em um súplica silenciosa para ter coragem para fitar seus olhos.

Em outros tempos, em uma outra época, a gente se encontraria em um café malicioso, onde eu me perderia na pausa entre as suas palavras, nos movimentos enfáticos das suas mãos, na dança impaciente dos seus pés embaixo da mesa.

Em outros tempos, em uma outra época, o meu café seria acompanhado por um pedaço de bolo, em uma tentativa mal calculada da minha parte de parecer casual e relaxada, mesmo tendo a garganta travada por um nó de marinheiro.

Em outros tempos, em uma outra época, o seu café seria trocado por um chá importado e um pedaço de chocolate meio amargo, cujas propriedades nutritivas reforçam a escrita de uma carta de alforria contra emoções exageradas e relações descabidas.

Em outros tempos, em uma outra época, talvez houvesse insistência, de um, ou resistência, de outro, para descobrir as severas incongruências em duas vidas tão distintas, unidas por um propósito ou muitas coincidências, em uma reviravolta inconclusiva, mas muito divertida.

Em outros tempos, em uma outra época…