Foto de Maria Victória, na exposição do MIS Experience, em cartaz de março a julho de 2022, em São Paulo

Maria Victoria nasceu em Montevidéu, mas foi em Paris que ela conheceu o homem com quem viria a se casar: o pintor brasileiro Candido Portinari. Casaram-se em 1930 e se estabeleceram no Rio.

Maria teve um papel fundamental na carreira do marido. Além de musa, foi quem assegurou ao artista a dedicação exclusiva à sua arte. Portinari só deixava o estúdio com a comida na mesa. Cuidou, ainda, do filho, nascido sob a sombra de um pai famoso.

Ela se exilou com ele no Uruguai e só se separou do homem que amava, aparentemente, para não endossar sua teimosia. Portinari, que odiava se sujar, a ponto de trabalhar de terno e sapato branco, intoxicou-se com o chumbo e os outros elementos químicos da tinta.

Os médicos recomendaram repouso, mas ele não conseguia ficar longe dos pinceis. Distanciou-se, enfim, da esposa. Da melancolia brotaram poemas.

Maria morreu em 2006, 44 anos após Portinari. Levou consigo a parte mais interessante de sua história, que permanece oculta.

Esse post foi originalmente publicado no blog Mais Um Café.