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Dia da Árvore

Foto: @tatirlima

Neste 21 de setembro, Dia da Árvore, celebro como a nossa relação com o mundo se transforma com o passar dos anos. Na infância, as árvores são um playground. Tá, tá bom, eu confesso que não tinha lá muita competência para escalá-las, mas adorava colher seus frutos, folhas e flores para fazer comidinhas que nem as minhas bonecas engoliam. Quem sabe essa brincadeira inocente já era um presságio de que, adulta, eu me tornaria vegetariana e me divertiria descobrindo novas formas de consumir os mais diferentes legumes e verduras. 

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A quem possa interessar

Em minha vaga lembrança de menina, minha avó morava em uma pequenina casa de abóbora, em meio a árvores esguias e flexíveis como bailarinas. Em um dia úmido de primavera, convidou-me para um passeio nos fundos, onde o mato estava tão alto que espetava minhas pernas e arranhava os meus braços. Ela parou junto a uma mesa e duas cadeiras já enferrujadas.

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Conduzindo a vida

JacksonDavid/Piaxabay

O sonho deste paulistano anônimo sempre foi ser caminhoneiro, pois se existe um lugar onde se sente confortável, é atrás de uma direção. Ele começou a trabalhar cedo – aos 5 anos, já entregava os sapatos engraxados pelo pai, analfabeto e portador de deficiência, que nunca deixou faltar em casa arroz, feijão, farinha e carne. Além de lustrar sapatos, ele também cuidava dos jardins da vizinhança, cultivando no filho valores nunca esquecidos.

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Amor à moda antiga

📸 Foto do Tom Jobim de autoria desconhecida.

Nós nos aproximamos na fase adulta, e a afinidade foi instantânea. Descobri com ele que certos amores são raros: não fazem morada na gente como uma paixão avassaladora. Há aqueles gentis e moderados, não menos intensos ou importantes, que marcam presença nos momentos de alegria e de tensão.

É assim que me sinto com ele, que não me tira o sono – só me injeta coragem para enfrentar a folha em branco de cada dia.

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Já escutou o seu chamado?

Telma era uma adolescente quando ouviu o chamado da vida: transformar a vida das pessoas. Entrou na faculdade de Psicologia e, para ter uma visão mais crítica e mais lúdica, emendou na Psicanálise e na Pedagogia. Suficiente? Não, ela precisava atingir o coração e a mente das pessoas e por isso foi atrás de um MBA de Planejamento Estratégico. Incansável, arranjou ainda fôlego para fazer Teologia.

Com a Amanda foi diferente: 5 faculdades no currículo – 4 incompletas e uma em andamento – não foram suficientes para decidir por um caminho. O pai, que se encontrou em um workshop de mindfulness, pensou que seria útil para sua princesa um curso alternativo e inspiracional com o título “Como encontrar um trabalho que você ame”. Foi o presente de Natal da filha.

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Shavasana

Com o corpo pesado do exercício, rendo-me à posição final da prática de yoga, a mais simples e a difícil, pois exige total entrega e o reconhecimento da vulnerabilidade em mim. Respiro uma, duas, três vezes. O chão duro, coberto por um leve tapete, me abriga como um abraço saudoso.

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Entre notas e letras

Emília não gostava de música, encontrava-se nos livros. Não sonhava com o príncipe encantado, mas em ser livre. Por isso, tinha sempre um verbo afiado na boca. A família e as amigas não se conformavam e a obrigavam, vez ou outra, a sair de casa. Foi em um baile, o evento mais esperado pela pequena cidade, que ela conheceu um rapaz de cabelo engraçado e óculos redondo. Sua voz tinha um ritmo diferente e suas mãos bailavam com o vento, como se ditassem as notas ao seresteiro.

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Uma Vida sem Waze

BuzzFeed / Manuel Dietrich Photography

 

Se tinha um propósito na vida, como vários coachings, mentores, psicólogos e especialistas na vida alheia defendiam, o de Laura era esse: nada de monotonia, só felicidade extrema, a qualquer custo. Ela trabalhava duro para isso – malhação pesada, além de visitas semanais à psicóloga, massagista, cabeleireiro, manicure e pedicure. Casou-se, separou-se, adotou um gato, arranjou outro(s) namorado(s), viajou o mundo e conquistou uma vaga super disputada em uma multinacional. Até o dia em que o rótulo de bem-sucedida, junto com todos os outros, deixou de ser suficiente. Nenhum lhe cabia mais. Aquele vazio, mesmo rebocado, fazia um barulho incômodo – como o eco dos pingos do chuveiro na madrugada vazia.

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