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Doce Viagem

O melhor da vida na nuvem

Quando tudo isso passar…

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Quando tudo isso passar

talvez o desconhecido seja eu

pois já não calço os mesmos sapatos

nem me encaixo nos mesmos relatos

 

Quando tudo isso passar

talvez eu descubra o que realmente vivi

o resultado de pequenos gestos

e dos pequenos movimentos a que me atrevi

 

Quando tudo isso passar

talvez eu não tenha mais pressa

já não queira correr o mundo

pois me desfiz das ilusões e promessas

 

Quando tudo isso passar

talvez eu só queira aproveitar o momento

para onde quer que me leve o vento

mesmo em um dia cinzento

 

Quando tudo isso passar

talvez eu já tenha encontrado a minha trilha

dançarei a minha própria melodia

ainda que o mundo não seja uma maravilha

 

Quando tudo isso passar

talvez eu consiga me reconhecer no espelho

me olhar sem rejeição ou medo

e mandar beijos até para os meus defeitos

 

Quando tudo isso passar

talvez as lágrimas já tenham secado

serão somente lembranças de um estágio

uma pequena parte do meu passado

 

Quando tudo isso passar

talvez eu descubra o que me tornei

talvez quem sempre sonhei

ou quem eu nunca imaginei

 

Quando tudo isso passar

deixarei enfim o casulo

e descobrirei que tudo que vivi

esse tempo todo

não foi nulo.

 

Quando tudo isso passar…

 

O Processo

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Ilustração: autor desconhecido.

 

Mudança

Temida

Sentida

Inevitável Continuar lendo “O Processo”

A beleza do vazio

 

Ele chegou de mansinho

sem aviso prévio

sem um assobio

sem burburinho Continuar lendo “A beleza do vazio”

Oceano em mim

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Aquiraz (CE)

Basta fechar os olhos

para ouvir o oceano

vasto e esplendoroso

gentil e belicoso Continuar lendo “Oceano em mim”

Entre excessos e carências da quarentena

 

Também confinado, Aurélio saiu, literalmente, do armário nessa quarentena. Foi um conselheiro leal, até se tornar… dispensável. A demissão, sem ao menos um “muito obrigada” ou “até logo”, impôs-lhe uma aposentadoria compulsória. Estava decretado o seu fim. Continuar lendo “Entre excessos e carências da quarentena”

Entre um mundo e outro

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Livros na janela em São Roque (SP): o convite entre dois mundos

Antes mal existia uma porta, que sempre aberta, parecia invisível na casa de cômodo escuro, entulhado de roupas, papelão, móveis, objetos. Só depois da pandemia, a porta azul apareceu, espelhando o gentil céu de outono. Já não passa mais despercebida, com o colorido que impõe à rua vazia. Revelou-se também uma guardiã de segredos – não de itens materiais, mas de valorosas almas humanas. Continuar lendo “Entre um mundo e outro”

Mais um dia ou um dia a mais?

Mais um dia
de silêncio exterior
de balbúrdia interior
de asfixia

Continuar lendo “Mais um dia ou um dia a mais?”

A realidade à luz da filosofia

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Lúcia Helena Galvão, professora, poetisa e filósofa (Arquivo Pessoal)

Nem nesse período de isolamento social, a Professora Lúcia deixa de produzir. Ela não está cruzando o Brasil, de ponta a ponta, como costuma fazer, mas continua gerando conteúdo, promovendo palestras e participando de lives que desembaraçam Platão, Aristóteles, Cícero, Kant e outros tantos filósofos capazes de nos ajudar a compreender esse momento. “O grande desafio será, com certeza, reconstruir a vida quando a avalanche passar. Muita gente desempregada e faminta, e poucas soluções a curto prazo. É impossível pensar que as autoridades resolverão tudo, que “não é problema meu”. A autoridade que resolve, aí, é a humana, ou seja, a responsabilidade por sermos o que somos: seres humanos.” Continuar lendo “A realidade à luz da filosofia”

Como a leitura frutifica

Roberta: leitora, contadora de histórias e livreira, na sua Mandarina (Arquivo Pessoal)

Roberta nunca se esqueceu das visitas que fazia à casa da avó quando era criança. Ela nem sabia ler, mas já gostava de se acomodar junto à estante de livros. Lembra-se do esforço que fazia para segurar aqueles volumes de capa dura do Sítio do Pica Pau Amarelo, de Monteiro Lobato. Cada página que virava era um tesouro que ela desenterrava. O cheiro abafado, aqueles que só os livros antigos sabem exalar, entorpecia a imaginação da menina, que degustava o formato das letras e se divertia com as ilustrações. Ali, meio sem querer, como uma brincadeira, Roberta abriu o primeiro de muitos portais mágicos de histórias.  Continuar lendo “Como a leitura frutifica”

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