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Doce Viagem

O melhor da vida na nuvem

Quem sabe um (outro) dia…

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* Por Juliana da Mota Camargo
Olhando pela janela da vida, em alguns momentos, enxergamos por meio de um vidro embaçado e com névoa a chuva molhando a todos de forma alegre, como se só nós tivéssemos sido privados de todas as possibilidades que a vida carrega. Como se todos conseguissem colher estes momentos de alegria, mas nós não. Como se a vida tivesse escolhido para nós o vazio, ou como se a nós não coubessem escolhas. Para o resto do mundo tudo, para nós nada além de isolamento e culpa.

Deixe aqui uma parte de você!

Respire fundo e imagine: você entra em uma sala, no último andar de um prédio. Sem saber o que lhe espera, segue uma trilha feita não de miolo de pão, mas de folhas de papel. Por alguns segundos, você se perde com a vista do lugar, um magnífico horizonte polido pelo sol. Só que há mais de uma voz ao fundo e elas atiçam sua curiosidade, convocando-lhe para seguir em frente. Continuar lendo “Deixe aqui uma parte de você!”

A beleza de ser quem se é

Há quem diga que lhe falta vaidade, pois uma maquiagem aqui, um retoque ali, lhe rejuvenesceria. Há quem a julgue desinteressante só porque não se rende a títulos e modismos.  Tem, ainda, quem questione sua ambição, ou a falta de, já que não se dá ao trabalho de abarrotar a agenda de compromissos e viver na correria. Ela é assim: não dita regras, não ostenta, não quer impressionar nem convencer ninguém de nada. Não cria inimizades, tampouco desafetos; não se ofende com comparações nem cria caso por isso. Ela é o que é e ponto.  Continuar lendo “A beleza de ser quem se é”

Retratos do Cotidiano (II)

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A cena não passou impune, mesmo com a neurastenia imposta pelo engarrafamento e calor extremo. Em um mundo onde os mandamentos são estraçalhados diariamente, por meio de palavras e ações, pequenos gestos e breves silêncios tornam-se gigantes demonstrações e barulhentos sinais de luz e esperança.

Em uma das avenidas mais movimentadas de São Paulo, sob o sol escaldante e sobre o asfalto incandescente, o funcionário do supermercado permanecia de mãos dadas com o senhor de bengala à espera da permissão para a travessia de pedestres. Com os dedos entrelaçados, ambos mantinham o olhar para o mesmo ponto, lá adiante, comungando do mesmo futuro.

Pela expressão do jovem funcionário aquela não parecia ser mais uma obrigação ou um simples serviço. Via-se ali o respeito e o cuidado com um irmão mais velho, vestido como um garoto, com bermuda e meias esticadas até a canela. Juntos, eles eram a prova de que somos feitos de amor e podemos expressá-lo, mesmo em tempos sombrios e desafiadores. Basta descruzar os braços e esticar as mãos.

Não era só mais uma borboleta…

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…que voava solta pelo mundo. Essa tinha uma missão, que a obrigava a correr riscos. Todos os bichos e insetos do pedaço já tinham se recolhido, fugindo da tempestade de pingos grossos que transformou o dia em noite. Aquela borboleta nem se importou: seguiu seu caminho sozinha, sem medo que isso lhe custasse a vida. Continuar lendo “Não era só mais uma borboleta…”

Que música te representa?

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Eu tinha nove anos quando pisei pela primeira vez no Crematório da Vila Alpina. O dia estava nublado e chuvoso, enfatizando a tristeza do adeus. A imaginação, a ingenuidade e a dor de uma criança que se despedia do seu amado avô criou memórias fragmentadas e até sombrias, infiltradas de uma sinfonia fúnebre intercalada com vozes do além e som de ossos se quebrando.

Temi por muitos anos a segunda visita, que chegou, inevitavelmente, há menos de dez anos por uma pessoa não menos amada. Não me despedi da minha bisavó ali, porque a carrego dentro de mim, assim como a meu avô. Contudo, aquele dia monocromático tornou-se um marco sem graça de uma vida sem ela.

Lembro-me da música preferida dela preenchendo aquele salão, entorpecendo-me de dor.  Dessa vez, porém, aquela cena não deixou marcas ou registros em mim. Nada, nem o tempo, é capaz de me roubar a imagem que guardo dela ouvindo aquela canção, na sala da casa dos meus pais. O sorriso fascinante que abria e a lágrima que junto caía. É isso que guardo comigo.

Essa música tocou em uma passagem recente por aquele lugar. Mesmo comovida com a perda de uma pessoa querida, não pude deixar de notar as contradições (ou seriam ironias?) da vida.  Continuar lendo “Que música te representa?”

A mulher que não tem medo da vida

Não pense que Jacke não sabe o que é sofrimento. Ela já foi testada de todas as maneiras possíveis: uniões desfeitas, perda de movimentos, carreira interrompida. A vida arrancou-lhe lágrimas, provocou-lhe dor, mostrou-lhe seu lado mais sombrio. Só que essa gaúcha de São Gabriel nasceu com uma característica singular: alegria de viver.  Continuar lendo “A mulher que não tem medo da vida”

[Paulistanos Anônimos] Além dos olhos

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Para ter valor, uma joia não precisa de uma caixinha turquesa com fita branca

Em meio à agitação da Avenida Paulista durante um domingo de sol, uma joia rara foi adquirida por um comprador com gosto refinado, olhar preciso e mãos delicadas. O item, criado há muitos séculos em algum canto da Alemanha, era único, o que deixou outro cliente frustrado pela oportunidade perdida.  Continuar lendo “[Paulistanos Anônimos] Além dos olhos”

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