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Doce Viagem

O melhor da vida na nuvem

Que música te representa?

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Eu tinha nove anos quando pisei pela primeira vez no Crematório da Vila Alpina. O dia estava nublado e chuvoso, enfatizando a tristeza do adeus. A imaginação, a ingenuidade e a dor de uma criança que se despedia do seu amado avô criou memórias fragmentadas e até sombrias, infiltradas de uma sinfonia fúnebre intercalada com vozes do além e som de ossos se quebrando.

Temi por muitos anos a segunda visita, que chegou, inevitavelmente, há menos de dez anos por uma pessoa não menos amada. Não me despedi da minha bisavó ali, porque a carrego dentro de mim, assim como a meu avô. Contudo, aquele dia monocromático tornou-se um marco sem graça de uma vida sem ela.

Lembro-me da música preferida dela preenchendo aquele salão, entorpecendo-me de dor.  Dessa vez, porém, aquela cena não deixou marcas ou registros em mim. Nada, nem o tempo, é capaz de me roubar a imagem que guardo dela ouvindo aquela canção, na sala da casa dos meus pais. O sorriso fascinante que abria e a lágrima que junto caía. É isso que guardo comigo.

Essa música tocou em uma passagem recente por aquele lugar. Mesmo comovida com a perda de uma pessoa querida, não pude deixar de notar as contradições (ou seriam ironias?) da vida.  Continuar lendo “Que música te representa?”

A mulher que não tem medo da vida

Não pense que Jacke não sabe o que é sofrimento. Ela já foi testada de todas as maneiras possíveis: uniões desfeitas, perda de movimentos, carreira interrompida. A vida arrancou-lhe lágrimas, provocou-lhe dor, mostrou-lhe seu lado mais sombrio. Só que essa gaúcha de São Gabriel nasceu com uma característica singular: alegria de viver.  Continuar lendo “A mulher que não tem medo da vida”

[Paulistanos Anônimos] Além dos olhos

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Para ter valor, uma joia não precisa de uma caixinha turquesa com fita branca

Em meio à agitação da Avenida Paulista durante um domingo de sol, uma joia rara foi adquirida por um comprador com gosto refinado, olhar preciso e mãos delicadas. O item, criado há muitos séculos em algum canto da Alemanha, era único, o que deixou outro cliente frustrado pela oportunidade perdida.  Continuar lendo “[Paulistanos Anônimos] Além dos olhos”

Durante um café da tarde (I)

Quando a alma pede descanso, saio do casulo para respirar. Ocupo uma mesa sozinha e noto que sou a única a simplesmente… contemplar. Há um moço mergulhado na tela à sua frente; na mesa ao lado, uma moça lê enquanto a outra, na outra ponta, devora um sanduíche. Duplas e trios se perdem em universos paralelos que se formam ao meu redor.

Ouso eleger uma preferida: uma senhora de cabelos brancos e vívidos olhos risonhos que fala animada, incentivada por um senhor que move gentilmente a cabeça, sem perder uma palavra, uma acentuação, um gesto, uma breve respiração da sua interlocutora. Em certo momento, depois de muito tempo, a conversa se inverte e é ela quem o escuta atentamente. Do seu jeito e no seu tempo, eles protagonizam uma dança, como as folhas das árvores que reagem ao vento, pintando o céu nublado.

[Dose Extra] A Bússola do Sucesso

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Você já deve ter ouvido que nós não escolhemos os livros – eles o fazem. O motivo nem sempre é claro, mas há sempre um (pelo menos!), escondido entre parágrafos e linhas. Uma verdadeira pedra preciosa, esculpida só para você.  Leia Mais

[Paulistanos Anônimos] Paixão não se discute

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Foto ilustrativa
No dia do jogo da seleção brasileira de futebol em São Paulo, o trânsito só não ferveu mais que os ingressos da partida. Mesmo custando entre R$126 e R$650, não sobrou um. “Sabe o que eu acho, moça”, disse o taxista, sem desviar os olhos do tráfego. “Paixão não se discute. Quando a gente gosta, paga o preço que for. Não tem crise que segure”. Você já deve imaginar que esse senhor, com ralos cabelos brancos, advoga em causa própria. E não é pelo futebol, não. Com uma risada tímida e uma espiadinha pelo retrovisor, ele revela o verdadeiro objeto do seu afeto: uma horta.   Leia Mais

O que eu aprendi ao escrever uma carta de amor para o Papa Francisco

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Eu escrevi uma carta de amor e coloquei no correio, exatamente como fazia quando era mais jovem. Eu simplesmente ignorei a facilidade da internet: escrevi a carta, preenchi e selei o envelope, fui ao correio, peguei senha e enfrentei pacientemente a fila. Observei, sem pressa, o atendente manchar o envelope com carimbos e selos, respeitando o trabalho que completava meu ritual. Eu nunca esperei uma resposta, porque só precisava expressar o que sentia e o que pensava. Do momento em que aquela carta deixou minhas mãos, eu nunca mais pensei nela, nunca mais olhei para trás. Estava feito.   Leia Mais

[Check-in] O Museu da Esperança

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É assim que o Museu da Imigração do Estado de S.Paulo deveria ser chamar. O motivo é óbvio: a Hospedaria de Imigrantes do Brás, onde funciona hoje a instituição, abrigou mais de 2,5 milhões de pessoas entre 1887 e 1978. Oriundos de 70 nacionalidades e etnias, eles carregavam, juntos a seus pertences, a esperança de um futuro melhor.  Leia Mais

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