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Doce Viagem

O melhor da vida na nuvem

A moça do Kindle

Ela o carregava dentro de uma bolsa pequena de couro marrom. Uma biblioteca compacta, com livros em Português, Espanhol e Inglês, dos mais diferentes gêneros, apropriados a diversas situações, propósitos e humores.

Era a ele que ela recorria no metrô ou na sala de espera do dentista; entre reuniões ou nas fugas repentinas para um almoço solitário, só para terminar aquele capítulo que lhe esmagava o peito.

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Nublado

fui sendo engolida
sem colocar medida
por uma força maligna
discreta e inimiga

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A pianista mais sábia do mundo

Ela tem página na Wikipédia e teve sua história retratada por jornais nos quatro cantos do mundo. Colette nasceu às vésperas da I Guerra Mundial e ainda carrega em si o espírito de La Belle Époque.

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Recado ao cansaço

Sinto-me em um amasso
não em um abraço
sufocada por um laço
que não me deixa dar um passo

Tu me roubas a vida
que fica bem menos colorida
sinto-me desprotegida
e distante da terra prometida

Meu antídoto contra ti é o sol
um verdadeiro farol
que me redireciona na estrada da vida
e me faz fortalecida

De ti sigo sem me despedir
mas já não preciso te agredir
minha fé é o elixir
pois minha alma descansa no porvir

**Poesia originalmente publicada no blog Mais um Café. Confira outras poesias, crônicas e contos clicando aqui.

Um momento na história

O Smithsonian Institution resolveu recolher objetos que expressem às gerações futuras dos Estados Unidos o que foi a pandemia e como o país sobreviveu a esse marco histórico da humanidade. Ampolas das primeiras vacinas, materiais de proteção dos profissionais da linha de frente, fotos de cidades desertas, obras de arte, máscaras e mais máscaras.

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Desconfinamento

Era uma tarde de sol com poucas nuvens pintadas no céu azul. Sentia-me abraçada por uma manta leve, que formava em meu corpo uma capa protetora contra o vento hostil, típico dessa época do ano. Repousava sobre o meu colo um livro, cuja história parecia se entrelaçar ao gracioso movimento da natureza ao meu redor. “Em momentos como estes”, disse o protagonista, “vemos a que deplorável espécie de brutos pertencemos.”

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Guerra

Era o século mais pacífico

até este momento

até um vírus expor a doença

que já existia

já provocava dores

já provocava separações

já se mostrava desumana

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Há um ano

Há um ano meus planos se desfizeram. Há um ano a rotina mudou. Há um ano não há mais abraços. Há um ano os encontros distantes se tornaram próximos. Há um ano não viajo, só navego. Há um ano olho nos olhos do medo, da dor, do ódio, do perdão, do amor. Há um ano aprendi o que é fé. Há um ano aprendi o que é desapego. Há um ano escrevo por ofício, por prazer e por urgência. Há um ano estudar se tornou meu oxigênio; ler, meu momento mindfulness. Há um ano aprendi a contemplar, a explorar novas formas de criar, a buscar meios de melhor conviver. Há um ano transito entre a revolta e a resignação. Há um ano reflito sobre o peso do individual no coletivo. Há um ano me despeço de pedaços que já não fazem mais parte de mim. Há um ano aprendi que não sei viver sem sonhar. Há um ano entendi que esses sonhos se reformam e se renovam – às vezes, diariamente. Há um ano meu horizonte se encurtou, mas minha consciência se expandiu. Há um ano aprendi como é fácil colecionar frustrações. Há um ano entendi como me faz bem agradecer. Há um ano mudei como me alimento de comida, notícias, pensamentos, emoções. Há um ano (re)descobri novas e velhas pessoas. Há um ano tento parar de pensar sobre o presente. Há um ano tento entender como chegamos aqui. Há um ano eu seria incapaz de imaginar o que estamos vivendo. Há um ano eu não teria criatividade para conceber este futuro presente. Há um ano eu não seria capaz de imaginar o tanto que essa experiência me transformou – e continua me transformando. Há um ano eu era outra pessoa. Há um ano eu espero por um recomeço. Há um ano eu recomeço todos os dias.

*A primeira contaminação de coronavírus no Brasil foi identificada em fevereiro de 2020. A primeira morte ocorreu no mês seguinte. Também em março o Governo do Estado de São Paulo decretou, pela primeira vez, quarentena no estado. Muitos de nós nunca saímos dela.

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