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Doce Viagem

O melhor da vida na nuvem

Não é feitiçaria; é culinária ou gastronomia

Você sabia que aquelas bolinhas disformes e cabeludas, conhecidas como inhame, foram trazidas da África pelos portugueses, mas são cultivadas na Índia desde 5 mil anos antes de Cristo?

Nós não aprendemos isso na escola, nem somos expostos às propriedades e aos benefícios da variedade de legumes e verduras da nossa terra. Sabedoria esta que os nativos sempre tiveram e passaram de geração em geração.

Estou cada vez mais convencida de que a facilidade de abrir uma lata ou pacote de alumínio, ou ainda de ter comida pronta com poucos cliques no aplicativo, inibe a criatividade. Jamais imaginaria que seria possível transformar aquela bolinha suja de terra em um creme a ser usado em massas, risotos ou pães. Ou que o inhame seria a base até… de um brigadeiro.

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Vida longa ao iPod

A Apple decidiu encerrar a fabricação do ipod, já em desuso. Mal sabem eles que eu continuo a caminhar todas as manhãs com uma versão de 2005 ou 2006. Na época, eu trabalhava em uma agência de marketing de guerrilha e cruzava a Berrini com um radinho a pilha pequenino, sem visor, dotado de um único botão. Eu não podia nem escolher a estação. Ao pressionar o botão, o aparelho saltava de emissora. Não era possível nem visualizar a frequência. Ainda assim, achava muito legal a exploração e a surpresa.

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Caderno de recordações

Há cerca de um mês resolvi abrir baús — não somente aqueles que escondemos no fundo do armário, mas também os que carregamos na alma. Em um deles, encontrei um “caderno de recordação”, algo que, imagino, as meninas de hoje não façam.

Meu primeiro “caderno de recordação” data de 1989, em uma época sem internet, com cada trimestre valendo por um ano inteiro. Cada página deste diário me fez revisitar lugares, encontrar pessoas, redescobrir histórias, sentir muitas emoções — inclusive o entusiasmo de entregar esse tesouro em outras mãos, a ansiedade advinda da espera, a apreensão por não saber o que a pessoa escreveria, o êxtase com a descoberta.

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Agora

Passei muito tempo com saudade de mim, querendo acelerar o tempo, rogando ao vento, para trazer o futuro para mim.

Hoje eu sei que vivia desafinada, completamente fora de tom; não escutava a sinfonia da vida, não sabia que viver o presente é um dom.

É preciso sentir as estações e falar a língua da natureza; é preciso ver além das ilusões e escutar a sabedoria do próprio coração.

Libertar o silêncio, aquele que mora bem aqui dentro, é tarefa para uma vida inteira, e não se aprende de outra maneira.

Com o futuro ausente, cada dia vira um presente, uma aventura a ser desbravada, uma memória a ser criada.

Sem pressa, sem regras, sem amarras, sendo livre…

Agora.

Conduzindo a vida

JacksonDavid/Piaxabay

O sonho deste paulistano anônimo sempre foi ser caminhoneiro, pois se existe um lugar onde se sente confortável, é atrás de uma direção. Ele começou a trabalhar cedo – aos 5 anos, já entregava os sapatos engraxados pelo pai, analfabeto e portador de deficiência, que nunca deixou faltar em casa arroz, feijão, farinha e carne. Além de lustrar sapatos, ele também cuidava dos jardins da vizinhança, cultivando no filho valores nunca esquecidos.

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Amor à moda antiga

📸 Foto do Tom Jobim de autoria desconhecida.

Nós nos aproximamos na fase adulta, e a afinidade foi instantânea. Descobri com ele que certos amores são raros: não fazem morada na gente como uma paixão avassaladora. Há aqueles gentis e moderados, não menos intensos ou importantes, que marcam presença nos momentos de alegria e de tensão.

É assim que me sinto com ele, que não me tira o sono – só me injeta coragem para enfrentar a folha em branco de cada dia.

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Já escutou o seu chamado?

Telma era uma adolescente quando ouviu o chamado da vida: transformar a vida das pessoas. Entrou na faculdade de Psicologia e, para ter uma visão mais crítica e mais lúdica, emendou na Psicanálise e na Pedagogia. Suficiente? Não, ela precisava atingir o coração e a mente das pessoas e por isso foi atrás de um MBA de Planejamento Estratégico. Incansável, arranjou ainda fôlego para fazer Teologia.

Com a Amanda foi diferente: 5 faculdades no currículo – 4 incompletas e uma em andamento – não foram suficientes para decidir por um caminho. O pai, que se encontrou em um workshop de mindfulness, pensou que seria útil para sua princesa um curso alternativo e inspiracional com o título “Como encontrar um trabalho que você ame”. Foi o presente de Natal da filha.

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A história não contada

Foto de Maria Victória, na exposição do MIS Experience, em cartaz de março a julho de 2022, em São Paulo

Maria Victoria nasceu em Montevidéu, mas foi em Paris que ela conheceu o homem com quem viria a se casar: o pintor brasileiro Candido Portinari. Casaram-se em 1930 e se estabeleceram no Rio.

Maria teve um papel fundamental na carreira do marido. Além de musa, foi quem assegurou ao artista a dedicação exclusiva à sua arte. Portinari só deixava o estúdio com a comida na mesa. Cuidou, ainda, do filho, nascido sob a sombra de um pai famoso.

Ela se exilou com ele no Uruguai e só se separou do homem que amava, aparentemente, para não endossar sua teimosia. Portinari, que odiava se sujar, a ponto de trabalhar de terno e sapato branco, intoxicou-se com o chumbo e os outros elementos químicos da tinta.

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