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poesia

Caderno de recordações

Há cerca de um mês resolvi abrir baús — não somente aqueles que escondemos no fundo do armário, mas também os que carregamos na alma. Em um deles, encontrei um “caderno de recordação”, algo que, imagino, as meninas de hoje não façam.

Meu primeiro “caderno de recordação” data de 1989, em uma época sem internet, com cada trimestre valendo por um ano inteiro. Cada página deste diário me fez revisitar lugares, encontrar pessoas, redescobrir histórias, sentir muitas emoções — inclusive o entusiasmo de entregar esse tesouro em outras mãos, a ansiedade advinda da espera, a apreensão por não saber o que a pessoa escreveria, o êxtase com a descoberta.

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Quem Eu Sou

Não sou um deserto

Sem sentimento

Sem horizonte

Sem casamento

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Para o Ano Novo

Para este novo dia

Para este novo ano

Que não falte poesia

Para espantar o desânimo

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O Adeus

A gente não gosta de pensar na morte

porque ela representa um corte

só que talvez não seja assim

ela pode não ser um fim

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Nublado

fui sendo engolida
sem colocar medida
por uma força maligna
discreta e inimiga

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Recado ao cansaço

Sinto-me em um amasso
não em um abraço
sufocada por um laço
que não me deixa dar um passo

Tu me roubas a vida
que fica bem menos colorida
sinto-me desprotegida
e distante da terra prometida

Meu antídoto contra ti é o sol
um verdadeiro farol
que me redireciona na estrada da vida
e me faz fortalecida

De ti sigo sem me despedir
mas já não preciso te agredir
minha fé é o elixir
pois minha alma descansa no porvir

**Poesia originalmente publicada no blog Mais um Café. Confira outras poesias, crônicas e contos clicando aqui.

Até onde…

Até onde vale a pena lutar

Até onde vale a pena insistir

Será que não é melhor descansar

Será que não é melhor desistir

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Mais um dia ou um dia a mais?

Mais um dia
de silêncio exterior
de balbúrdia interior
de asfixia

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