Busca

Doce Viagem

O melhor da vida na nuvem

Um convite

Caros leitores,

nos últimos tempos, tenho postado resenhas, crônicas e poesias no substack irmão deste blog, o Doce Caminho. Convido todos a conhecê-lo.

Obrigada pelas visitas e trocas. Que 2026 seja repleto de boas histórias!

Boas festas!

Dia da Poesia, Poesia do dia

Autoria desconhecida

Queria fazer poesia
Sem saber se ainda poderia
Não porque me falte alegria
Respiro o essencial todos os dias

Debaixo de uma oliveira
Fui informada do que viria
A morte derradeira
O despertar de uma nova vida

Talvez a gente seja como os gatos
Donos de várias chances de vida
É preciso desapego e desacato
É preciso resiliência e ousadia

Não se pode temer os recomeços
Mesmo sem apoio e garantia
Divido uma receita contra o arrependimento
Não há dor maior do que a covardia

A quem me testa
A quem me desmerece
A quem me desafia
A quem não me conhece

Eu aviso:

Não desmereça minha potência
Por ver em mim as suas vulnerabilidades
Não me atribua a suas carências
Eu vivo em liberdade

Por fim, saúdo outono
Estação das folhas perdidas
Farei desse um período bem-sucedido
Honrarei cada despedida

[Paulistanos Anônimos] O que a vida quer da gente?

Difícil não reparar em B — e não falo do porte físico bem definido, mas da presença. Sempre bem-humorado, educado e ágil. Por isso, sou sempre atraída para o caixa dele, mesmo que esteja mais movimentado.

Um dia, entre um item e outro, ele revelou que gosta de cantarolar mesmo quando está triste. Contou que, embora seja comunicativo, tem dificuldade de expressar o que sente, então por meio de uma música ele consegue atravessar o que incomoda e libertar o que não serve.

Ontem, ele estava treinando uma colega para operar a balança, o caixa, tudo. “Mas a melhor parte,” disse para ela, “são os clientes. Poder conhecer pessoas novas, trocar ideias.” Contrariando o filósofo, que disse que o inferno são os outros, para ele, não é. Não mesmo.

Continuar lendo “[Paulistanos Anônimos] O que a vida quer da gente?”

[Músicas e Histórias] “Eu nasci transgressor, vou morrer transgressor.”

Antes da nova exposição do MIS abrir as portas, mergulhei em Vira-Lata de Raça, a autobiografia de Ney Matogrosso.

Selecionei cinco memórias que ele compartilha ao longo do livro como um convite para explorar essa edição primorosa da Tordesilhas, organizada por Ramon Nunes Mello a partir de longas conversas com o artista.

Vamos a elas:

Continuar lendo “[Músicas e Histórias] “Eu nasci transgressor, vou morrer transgressor.””

A escritora que conecta dois mundos

Eu aposto que aquela menina que preenchia cadernos e diários com poesias e histórias jamais imaginaria que a sua paixão pela escrita a conduziria a um propósito tão especial.

Há mais de 20 anos Marisa Fonte encontrou espaço entre contos e artigos para explorar um novo caminho: a literatura espírita. Essa vertente aborda conceitos profundos como a continuidade da vida e a reencarnação, dando voz a histórias que atravessam planos e dimensões.

O primeiro romance, “Minha vida do outro lado da vida”, surgiu de uma parceria tão improvável quanto significativa. Ela e Roberta lecionavam Inglês na mesma escola. Embora não fossem amigas, havia entre elas algo que transcendia o respeito entre colegas. “Eu sempre admirei o sorriso largo e a alegria dela”, conta.

Roberta faleceu precocemente – aos 23 anos, de leucemia. Contudo, o vínculo entre elas não se encerrou ali – pelo contrário, os encontros extrapolaram os limites do ambiente escolar.

Continuar lendo “A escritora que conecta dois mundos”

[Músicas e Histórias] Da Glória dos Palcos ao Silêncio do Tempo

Cega e esquecida. Esse também foi o destino de outra mulher extraordinária, nascida no século XVIII, dessa vez, em Setúbal, Portugal. Ela foi a terceira dos cinco filhos de um professor de música, que trocou as aulas no interior por um emprego de copista de orquestra na capital. Apostou que lá ele poderia dar mais condições à família extensa – e não estava errado.

Continuar lendo “[Músicas e Histórias] Da Glória dos Palcos ao Silêncio do Tempo”

D: O Filho do Fim do Mundo e o Começo de Tudo

Conheci outro D pelas ruas de São Paulo. Entre os pontos em comum com o primeiro está o nome, não exatamente igual, mas uma variação do outro, também cheio de vogais, com a terminação “son”.

“Eu fui colocado no mundo para morrer”, anunciou ele logo nos primeiros minutos de conversa. Sua história é menos trágica do que a sua frase sugere, mas não menos interessante.

Continuar lendo “D: O Filho do Fim do Mundo e o Começo de Tudo”

Maria Firmina: A Voz que o Tempo Quase Silenciou”

Na ausência de fotos de Maria Firmina, sua obra-prima, em edição maravilhosa da Antofágica, com texto de Conceição Evaristo.

Maria Firmina parece repetir a sina de um país de memória curta e seletiva. Morreu doente, cega e esquecida e assim permaneceu por um tempo muito além do desejável.

Filha de uma escrava alforriada, ela desafiou as barreiras de seu tempo. Aprendeu as letras, tornou-se professora e não se limitou à sala de aula. Com uma mente afiada e indomável, foi compositora, cronista, poeta e romancista.

O Brasil ainda era colônia, vivendo do sangue e do suor dos escravizados, quando Maria Firmina se tornou uma figura ativa na imprensa e na sua comunidade no Maranhão. Foi assim, como “uma maranhense”, que ela lançou, em 1859, apenas nove anos após a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico negreiro, a obra Úrsula, que fez dela a primeira romancista negra da Língua Portuguesa, do Brasil e da América Latina.

Continuar lendo “Maria Firmina: A Voz que o Tempo Quase Silenciou””

Blog no WordPress.com.

Acima ↑