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Doce Viagem

O melhor da vida na nuvem

Autor

Tati

Monte de São Miguel: sangue, suor e entrega

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Chegar ao topo do Mont de Saint-Michel, ou Monte de São Miguel, é um perrengue. O local está a 350 km de Paris, na divisa da Normandia com a Bretanha. E chegar no topo significa muita escada – daquelas que deixam as pernas torneadas e, a cada distração, uma lasca do corpo no muro de pedra. Uma parte do meu dedinho da mão esquerda eu deixei lá. Fui olhar o cemitério, veja só que ironia, tropecei e… desequilibrei! O coração acelerou, mas foi só um sustinho e um raspão na mão. Um pouquinho de sangue, mas nada que outro tantinho de saliva não resolva. O visual cura. O Arcanjo lá do alto mata o dragão e cura tudo.   Continuar lendo “Monte de São Miguel: sangue, suor e entrega”

Idade é só mais uma convenção da sociedade

“Você não conhece a pessoa ao seu lado, mas vocês têm algo muito forte em comum. Por isso, deixem a timidez para lá”, avisou o guia. A frase mal havia terminado e já sentia seus olhos em mim. Havia tanta determinação ali que não restava dúvidas: eu não teria como escapar. Logo eu, naturalmente desconfiada, declaradamente introvertida e, eventualmente, anti-social. Continuar lendo “Idade é só mais uma convenção da sociedade”

Memórias de outra vida?

Ou só de uma menina, que sentava no fundo da sala, enquanto ouvia o professor de cabelos tão brancos quanto a neve falar sobre planícies, pampas, rochas, picos, formações vulcânicas e montanhas? Continuar lendo “Memórias de outra vida?”

Na rodoviária deserta…

… só o vento se fazia presente, provocando estalos aqui e ali. Tirei um livro da bolsa para não deixar que os pensamentos fossem inundados pelo medo. Em poucos minutos, um focinho se aproximou do meu joelho, só para chamar minha atenção. A pequenina criatura se esticou perto de mim e deixou minha companhia apenas quando outros seres da minha espécie começaram a ocupar aquele espaço. Quem disse que os anjos não tomam as mais diferentes formas? 😇 🐕

A escrita que liberta e cura

Quando era menina, Bruna preenchia diários e mais diários com seus pensamentos e aventuras. A prática se tornou tão prazerosa que virou profissão. Autora de quatro livros, incluindo a biografia de Sidney Magal e Roberto Menescal, ela nunca abandonou o mergulho interior – pelo contrário, percebeu que, ao ampliar o olhar sobre o seu universo, seu ofício saía ganhando. Incansável, formou-se em Psicanálise e se dedica hoje, entre outras atividades, a ajudar pessoas na busca pelo autoconhecimento através da escrita. Trata-se da Escritoterapia. Continuar lendo “A escrita que liberta e cura”

Uma pessoa simples, mas complexa, é aquela…

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… que odeia arrumar a cama, mas não aguenta dormir nela amassada; que cansou de gastar dinheiro com cartomante, mas não resiste à Susan Miller; que sente medo da solidão, mas já planeja a próxima viagem sozinha; que compra chocolate belga, mas se esbalda mesmo é com aquela caixa da Nestlé; que é capaz de comer um tomate por refeição, mas não suporta o suco desse fruto; que odeia pé, mas se rende à reflexologia; que não troca por nada o contato pessoal, mas acredita que nada leva mais alento para a alma a uma carta bem escrita; que ama Frank Sinatra, mas se acende mesmo é com um Zeca Pagodinho; que desconfia e se decepciona com pessoas, mas não deixa de se importar com elas; que se considera chocólatra, mas não na forma de sorvete; que vive inquieta, mas sente paz no silêncio; que não larga o iphone, mas se entorpece com cheiro de livro; que odeia barata, gafanhoto e mariposa, mas se encanta com a anatomia da lagartixa na janela de vidro; que prefere calça, mas ganha elogios com a saia rodada; que conta os fios brancos na cabeça, mas esconde com corretivo as espinhas; que adora um bistrô, mas não nega um macarrão com salsicha; que adora frases feitas, mas brada por criatividade; que gosta de palavras, mas grava mesmo fotografias; que gasta com um Kerastase, quando seu cabelo responde a um Fructis; que leva a vida a sério demais, mas procura fazer dela poesia.

[Paulistanos Anônimos] Senhor do destino

Chegou como qualquer outro passageiro, somente em busca de seu assento. Não demorou muito para sacar da sacola uma revista e uma lupa. Escorregou seus olhos por cada palavra, sem pressa ou vergonha. Saciou sua fome de conhecimento ao espremer cada sílaba cuidadosamente.

Ninguém mais parece ter percebido a cena – tampouco a moça, que se sentou ao seu lado por um tempo. Ele, com certeza, nem se deu conta de outro ser vivo ao seu redor, pois não desviou o seu olhar por um minuto sequer. Estava completamente entregue ao momento, hipnotizado pelo alimento à sua frente.

Era o senhor do próprio destino, incólume à ansiedade do mundo atual, comprometido exclusivamente com nada além do seu tempo.

 

A que vive

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Ela foi vista pela primeira vez no extremo norte de Guarulhos. Estava coberta de machucados, assustada e, ainda assim, incapaz de qualquer agressão ou reação. Foi chamada de Sofia, que, em grego, significa sabedoria. Passou por lares temporários até ser encontrada, com ajuda de uma rede social, por aqueles que prometeram lhe dar morada eternamente. Foi assim que ela se tornou Aisha, que carrega, em árabe, o significado de “a que tem vida ou a que vive”. Continuar lendo “A que vive”

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