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Doce Viagem

O melhor da vida na nuvem

Autor

Tati

[Paulistanos Anônimos] Devaneios Literários

Foto do Pinterest / Autor desconhecido

Não foi resolução de Ano Novo, mas uma decisão de mudar a sintonia. Se não dá para sair de casa sem celular, é possível deixá-lo bem escondido na bolsa para observar o mundo além das telas. Não é difícil perceber que sou uma exceção. Nas ruas há cada vez mais pessoas olhando para a palma da mão ou absortas da realidade com os seus fones de ouvido, completamente desconectadas do entorno. Engajam-se em conversas com interlocutores distantes, escutam músicas e leem histórias, sem perceber os personagens, a trilha e a narrativa do lugar onde vivem ou por onde passam.

 Ou não.

Aquele jovem cabeludo e tatuado nem imagina que, ao ingressar na estação da linha amarela, ajudou a derrubar algumas crenças – a começar pelo livro de, pelo menos, 600 páginas, carregado como se fosse um pequeno haltere. Não dizem que as novas gerações não leem? Aquele calhamaço era 100% analógico. Aposto que tinha letra pequena e nenhuma outra ilustração além daquela na capa. Não consegui identificar o título, mas dava para sentir o cheiro de sangue talhado na espada reluzente do herói.

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Inspiração e esperança

Alaíde Costa, no Sesc Pompeia, em 04/01/2024.

Eu sabia muito pouco sobre Alaíde Costa, mas me emocionei assim que subiu ao palco do Sesc Pompeia. Ela, que começou a cantar ainda menina, tomou gosto pela coisa ao se inscrever em concursos de música. Encontrou-se neste caminho e se entregou a ele.

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Perspectivas



Silêncios e ausências machucam
o vazio lateja
o espaço comprime
tudo que poderia ter sido
e não foi
por quê?

Silêncios e ausências restauram
o vazio expande
o espaco ecoa
tudo que pode ser
muito além da imaginação
por que não?

🌸

Devaneios de uma revisora

Foi conjugando verbos que me tornei fã do presente do indicativo. Passei a questionar por que fugimos dele, abraçando estrangeirismos ou vícios de outros idiomas. De onde vem esse medo de se lançar em sua simplicidade e objetividade?

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Como uma onda…

Lulu e Lui

Lulu Santos, em sua participação em Vai Na Fé, contou que, durante a pandemia, a linha de frente de um hospital do Rio cantou diariamente uma música sua. “Como uma onda” tornou-se, então, uma canção de redenção.

O “indo e vindo infinito” pode nos trazer paz, mas também pode nos sufocar. Há momentos de marola, há momentos em que somos engolidos por ondas tão gigantes quanto as de Nazaré. Somos lançados ao fundo do mar, sentimos o sal rasgar a garganta, emergimos para tomar goles de ar.

Saímos dessa experiência sabendo que “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. Lembrei-me da história de um geólogo que, após presenciar um enorme furacão, disse a um jornalista que não via a hora de ir à praia. Em vez de destruição, ele esperava encontrar “uma nova praia.” Junto com ela, apesar de todo sofrimento, a promessa de uma nova vida.

“Tudo passa, tudo sempre passará”. Do jeitinho que o Lulu canta.

Ou, como diria Lui, “Vamos!”

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Com o luto, o vazio

Lea/Etsy

Com o luto, o vazio
O vazio da ausência
O vazio da ruptura
O vazio da saudade
O vazio do amor
O vazio da lembrança
O vazio da reflexão
O vazio da mudança
O vazio da verdade
O vazio do medo
O vazio da liberdade
O vazio da impermanência
O vazio de ser

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Doce Caminho

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Vidas em minutos

Da janela, um presente mal captado pela lente do celular. O ipê roxo segue o seu ciclo de vida e morte. Já não está tão cheio, mas ainda tira o fôlego. Resplandece nos dias de sol, de chuva, de nuvens carregadas. Cumpre sem papel, sem desculpa, com propósito, de propósito.

Do alto é possível ver a quantidade de passarinhos que o visita. Diferentes espécies. Entre elas, um grupo de periquitos. Namoram a flor antes de fazer chover pétalas, que cobrem o telhado da casa, o quintal, a calçada formando um tapete delicado. Brincam de galho em galho. Quando o momento chega, um momento tão deles, saem juntos para um novo destino. Parecem guinchar de alegria, como crianças em um parquinho, partindo para um novo brinquedo.

Há muitos detalhes nesse quadro emoldurado pela minha janela. Uma fuga da realidade apressada e barulhenta. Uma fuga da ilusão. Um encontro com a verdadeira vida. Muitas vidas em poucos minutos de observação.

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