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Doce Viagem

O melhor da vida na nuvem

[Paulistanos Anônimos] Destino de Djavan

(Autor desconhecido)

“Desculpe, mas eu precisava muito falar com alguém”, disse a moça no saguão de um centro cultural. Quando eu me sentei ao seu lado, à espera de uma amiga, nada chamou minha atenção. Seu rosto estava escondido pelo cabelo liso tão longo quanto suas pernas e braços. Em nenhum momento, ela demonstrou notar a minha existência. Até aquele momento.

“Oi?”

Foi tudo que consegui emitir ao ser pega tão desprevenida por aquele pedido. Ela me fitou com hostilidade.

“Você precisa de algo?”, questionei, já me perguntando se tinha ouvido vozes (longe de mim duvidar de eventos sobrenaturais, ainda mais diante deste calor extremo). A hostilidade no rosto dela virou indignação. Como eu não tinha percebido que ela estava em uma ligação? Como eu poderia imaginar que, debaixo daquela cabeleira platinada, havia dois fones sem fio? Quem é que inventou isso e tornou nossa vida ainda mais difícil?

Amiga, você não sabe…”, disse, “acabou. Acabou. A-C-A-B-O-U.

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[Paulistanos Anônimos] Devaneios Literários

Foto do Pinterest / Autor desconhecido

Não foi resolução de Ano Novo, mas uma decisão de mudar a sintonia. Se não dá para sair de casa sem celular, é possível deixá-lo bem escondido na bolsa para observar o mundo além das telas. Não é difícil perceber que sou uma exceção. Nas ruas há cada vez mais pessoas olhando para a palma da mão ou absortas da realidade com os seus fones de ouvido, completamente desconectadas do entorno. Engajam-se em conversas com interlocutores distantes, escutam músicas e leem histórias, sem perceber os personagens, a trilha e a narrativa do lugar onde vivem ou por onde passam.

 Ou não.

Aquele jovem cabeludo e tatuado nem imagina que, ao ingressar na estação da linha amarela, ajudou a derrubar algumas crenças – a começar pelo livro de, pelo menos, 600 páginas, carregado como se fosse um pequeno haltere. Não dizem que as novas gerações não leem? Aquele calhamaço era 100% analógico. Aposto que tinha letra pequena e nenhuma outra ilustração além daquela na capa. Não consegui identificar o título, mas dava para sentir o cheiro de sangue talhado na espada reluzente do herói.

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Inspiração e esperança

Alaíde Costa, no Sesc Pompeia, em 04/01/2024.

Eu sabia muito pouco sobre Alaíde Costa, mas me emocionei assim que subiu ao palco do Sesc Pompeia. Ela, que começou a cantar ainda menina, tomou gosto pela coisa ao se inscrever em concursos de música. Encontrou-se neste caminho e se entregou a ele.

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Perspectivas



Silêncios e ausências machucam
o vazio lateja
o espaço comprime
tudo que poderia ter sido
e não foi
por quê?

Silêncios e ausências restauram
o vazio expande
o espaco ecoa
tudo que pode ser
muito além da imaginação
por que não?

🌸

Devaneios de uma revisora

Foi conjugando verbos que me tornei fã do presente do indicativo. Passei a questionar por que fugimos dele, abraçando estrangeirismos ou vícios de outros idiomas. De onde vem esse medo de se lançar em sua simplicidade e objetividade?

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Como uma onda…

Lulu e Lui

Lulu Santos, em sua participação em Vai Na Fé, contou que, durante a pandemia, a linha de frente de um hospital do Rio cantou diariamente uma música sua. “Como uma onda” tornou-se, então, uma canção de redenção.

O “indo e vindo infinito” pode nos trazer paz, mas também pode nos sufocar. Há momentos de marola, há momentos em que somos engolidos por ondas tão gigantes quanto as de Nazaré. Somos lançados ao fundo do mar, sentimos o sal rasgar a garganta, emergimos para tomar goles de ar.

Saímos dessa experiência sabendo que “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. Lembrei-me da história de um geólogo que, após presenciar um enorme furacão, disse a um jornalista que não via a hora de ir à praia. Em vez de destruição, ele esperava encontrar “uma nova praia.” Junto com ela, apesar de todo sofrimento, a promessa de uma nova vida.

“Tudo passa, tudo sempre passará”. Do jeitinho que o Lulu canta.

Ou, como diria Lui, “Vamos!”

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Com o luto, o vazio

Lea/Etsy

Com o luto, o vazio
O vazio da ausência
O vazio da ruptura
O vazio da saudade
O vazio do amor
O vazio da lembrança
O vazio da reflexão
O vazio da mudança
O vazio da verdade
O vazio do medo
O vazio da liberdade
O vazio da impermanência
O vazio de ser

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Doce Caminho

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