Na ausência de fotos de Maria Firmina, sua obra-prima, em edição maravilhosa da Antofágica, com texto de Conceição Evaristo.

Maria Firmina parece repetir a sina de um país de memória curta e seletiva. Morreu doente, cega e esquecida e assim permaneceu por um tempo muito além do desejável.

Filha de uma escrava alforriada, ela desafiou as barreiras de seu tempo. Aprendeu as letras, tornou-se professora e não se limitou à sala de aula. Com uma mente afiada e indomável, foi compositora, cronista, poeta e romancista.

O Brasil ainda era colônia, vivendo do sangue e do suor dos escravizados, quando Maria Firmina se tornou uma figura ativa na imprensa e na sua comunidade no Maranhão. Foi assim, como “uma maranhense”, que ela lançou, em 1859, apenas nove anos após a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico negreiro, a obra Úrsula, que fez dela a primeira romancista negra da Língua Portuguesa, do Brasil e da América Latina.

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