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Doce Viagem

O melhor da vida na nuvem

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Paulistanos Anônimos

Um convite

Caros leitores,

nos últimos tempos, tenho postado resenhas, crônicas e poesias no substack irmão deste blog, o Doce Caminho. Convido todos a conhecê-lo.

Obrigada pelas visitas e trocas. Que 2026 seja repleto de boas histórias!

Boas festas!

[Paulistanos Anônimos] O que a vida quer da gente?

Difícil não reparar em B — e não falo do porte físico bem definido, mas da presença. Sempre bem-humorado, educado e ágil. Por isso, sou sempre atraída para o caixa dele, mesmo que esteja mais movimentado.

Um dia, entre um item e outro, ele revelou que gosta de cantarolar mesmo quando está triste. Contou que, embora seja comunicativo, tem dificuldade de expressar o que sente, então por meio de uma música ele consegue atravessar o que incomoda e libertar o que não serve.

Ontem, ele estava treinando uma colega para operar a balança, o caixa, tudo. “Mas a melhor parte,” disse para ela, “são os clientes. Poder conhecer pessoas novas, trocar ideias.” Contrariando o filósofo, que disse que o inferno são os outros, para ele, não é. Não mesmo.

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D: A História de um Recomeço

(Fonte desconhecida)

Assim que entrei no carro, a primeira pergunta que fiz ao motorista foi: “como eu pronuncio o seu nome?”

Até então, eu nunca tinha visto tantas vogais juntas.

Ele esclareceu. E repetiu. Mais de uma vez.

Perguntei se havia algum significado no nome. “Se tem, só a minha mãe sabe, pois ela o inventou – o meu nome e o de oito dos meus dez irmãos”, disse.

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Sobre paulistanos anônimos, Mozart e Rachel Naomi Remen

A Flauta Mágica, espetáculo da UniÓpera

A ópera nem tinha começado quando aquela enfermeira me veio à mente.

“Você acredita que as pessoas aprenderam algo com a pandemia?”, perguntou ela, com uma voz suave.

O motivo da minha lembrança foi a vizinha que se acomodou na poltrona ao meu lado no teatro. Mal se sentou e a tosse cavernosa dela começou. Sua respiração era pesada, entremeada por fungadas de fazer inveja a qualquer porquinho. Para a minha total indignação, ela não usava máscara, nem cobria a boca quando tossia.

A enfermeira não me deu tempo para responder e já emendou:

“Às vezes, eu acho que não. Fico triste por elas, pois nunca mais fui a mesma. Talvez seja pelo que vivi.”

É claro que eu fui fisgada pela curiosidade e logo a incentivei a contar mais.

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Sobre livros, cartas, scones e promessas

Como se não bastasse as pilhas de livros não lidos espalhadas pela casa e a outra lista à espera no Kindle, eu me rendi ao Skeelo após ganhar acesso ao “Não fossem as sílabas de sábado”, da Mariana Salomão Carrara.

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[Paulistanos Anônimos] Destino de Djavan

(Autor desconhecido)

“Desculpe, mas eu precisava muito falar com alguém”, disse a moça no saguão de um centro cultural. Quando eu me sentei ao seu lado, à espera de uma amiga, nada chamou minha atenção. Seu rosto estava escondido pelo cabelo liso tão longo quanto suas pernas e braços. Em nenhum momento, ela demonstrou notar a minha existência. Até aquele momento.

“Oi?”

Foi tudo que consegui emitir ao ser pega tão desprevenida por aquele pedido. Ela me fitou com hostilidade.

“Você precisa de algo?”, questionei, já me perguntando se tinha ouvido vozes (longe de mim duvidar de eventos sobrenaturais, ainda mais diante deste calor extremo). A hostilidade no rosto dela virou indignação. Como eu não tinha percebido que ela estava em uma ligação? Como eu poderia imaginar que, debaixo daquela cabeleira platinada, havia dois fones sem fio? Quem é que inventou isso e tornou nossa vida ainda mais difícil?

Amiga, você não sabe…”, disse, “acabou. Acabou. A-C-A-B-O-U.

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[Paulistanos Anônimos] Devaneios Literários

Foto do Pinterest / Autor desconhecido

Não foi resolução de Ano Novo, mas uma decisão de mudar a sintonia. Se não dá para sair de casa sem celular, é possível deixá-lo bem escondido na bolsa para observar o mundo além das telas. Não é difícil perceber que sou uma exceção. Nas ruas há cada vez mais pessoas olhando para a palma da mão ou absortas da realidade com os seus fones de ouvido, completamente desconectadas do entorno. Engajam-se em conversas com interlocutores distantes, escutam músicas e leem histórias, sem perceber os personagens, a trilha e a narrativa do lugar onde vivem ou por onde passam.

 Ou não.

Aquele jovem cabeludo e tatuado nem imagina que, ao ingressar na estação da linha amarela, ajudou a derrubar algumas crenças – a começar pelo livro de, pelo menos, 600 páginas, carregado como se fosse um pequeno haltere. Não dizem que as novas gerações não leem? Aquele calhamaço era 100% analógico. Aposto que tinha letra pequena e nenhuma outra ilustração além daquela na capa. Não consegui identificar o título, mas dava para sentir o cheiro de sangue talhado na espada reluzente do herói.

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Chico, o papagaio da fadista

Foto: @tatirlima

Mal entrei na casa da artista e um agudo ecoou no ambiente. Não era uma nota musical, mas um aviso de que (mais) uma parte de Amália Rodrigues se mantém viva e atende pelo nome de Chico.

A rainha do fado era fã de papagaios. Chico conviveu com ela entre 1991 e 1999, ano de sua morte. Nativa da África Subsaariana, essa espécie cinzenta, quase prata, é considerada a mais inteligente do mundo. Quando abre as asas, revela uma cauda cor de sangue.

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