
A vida sempre cobra um preço
há ganhos e prejuízos
sou dona do meu tempo
mas sou órfã de filhos
*
Um amor que não experimentarei
um colo que não darei
uma parte de mim que não doarei
um legado que não deixarei
*
Continuar lendo “Desafogo (IV-IV)”
A vida sempre cobra um preço
há ganhos e prejuízos
sou dona do meu tempo
mas sou órfã de filhos
*
Um amor que não experimentarei
um colo que não darei
uma parte de mim que não doarei
um legado que não deixarei
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Continuar lendo “Desafogo (IV-IV)”Ela saiu da reunião e logo trocou o salto pelo tênis. O céu riscado chorava lágrimas finas, tão diferentes daquelas que Juliana segurava dentro de si. Ela respirou fundo e sentiu a bile da rejeição subir à boca. Era só mais um dia de autoestima dilacerada, pensou.
Procurou na bolsa a sombrinha, deixada no conforto do sofá de casa. Enfrentou a rua com a cabeça erguida – não por orgulho, para sobrevivência. A cada passo sua roupa ficava mais encharcada; sua alma, mais pesada. Resistir era exaustivo.
Continuar lendo “O invisível”Como filhos de Hebe, a deusa da Juventude e da Imortalidade, nós surtamos a cada ruga e fio de cabelo branco. Em maior ou menor proporção, investimos parte do nosso salário e tempo para barrar ou desacelerar um processo que, gostando ou não, é natural. Esquecemo-nos que o mais difícil ainda está por vir: a perda de autonomia, refletida nos passos mais cuidadosos, no fôlego mais curto ou na memória roubada. Como nos preparamos para isso? Como será o nosso futuro? A fotógrafa Nellie esbarrou nessa e em outras questões quando a mãe foi diagnosticada com Alzheimer há mais de dez anos. Leia Mais