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Quem não tem, pelo menos, um amigo exibindo no facebook a  medalha obtida em uma maratona? Ou fazendo pose na linha de chegada? Correr parece ter virado uma febre. E para algumas pessoas isso parece ser muito fácil. Daniela também pensava assim. 

“A corrida era um tabu pra mim. Na infância, tentava correr nas aulas de educação física e não conseguia nem dar uma volta na quadra da escola. A turma inteira tirava sarro da gordinha desengonçada que eu era. Desde a adolescência tentava fazer caminhadas: para emagrecer, para ser saudável. Via as pessoas correndo e pensava que devia ser uma coisa muito legal, mas era um mundo inatingível pra mim”.

Durante 37 anos,  Dani fazia inscrição na academia e logo desanimava, porque não via tantos resultados. Enquanto tentava queimar os quilos da segunda gestação, leu uma frase de motivação que disparou um gatilho: “Se você quer uma coisa que nunca teve, faça algo que nunca fez”. E parece até brincadeira, mas foi assim, simplesmente assim, que ela tomou a decisão de começar a correr.

Nesse primeiro momento, ela encontrou na internet um aliado. “Descobri que o segredo era começar aos poucos, intercalando caminhada e corrida: caminhava 3 minutos e corria 1, aumentando a corrida gradativamente. Depois encontrei um aplicativo chamado Runkeeper, que me ajudou muito. Lembro claramente do dia em que consegui correr uma hora na esteira sem parar. Foi a primeira vez que chorei de emoção por causa da corrida. Depois disso, comecei a treinar no parque, a participar de provas e não parei mais.”

Para quem tem dúvidas sobre como conciliar “mais isso” na rotina, Dani também tem a resposta.“Pra quem é mãe e vive 150% do seu tempo para os filhos, a corrida é uma hora sagrada. É uma brecha que encontrei para mim mesma, para pensar em mim e me centrar. Depois de uma corrida, fico mais calma, mais inteira pra encarar os desafios que as crianças e a vida de mãe e dona de casa me impõem”.

E os resultados, Dani não só garante mas é a prova viva, aparecem. “Na verdade as principais mudanças realmente não foram físicas. Primeiro de tudo, aprendi que qualquer pessoa pode qualquer coisa. Basta querer. Não existem limitações físicas. Nesse mundo do esporte, vi não só ex-gordinhos tornarem-se triatletas campeões, mas vi muitas pessoas que sofreram acidentes extremamente limitantes e hoje superaram as dificuldades físicas com o esporte. Ou seja, a nossa mente é capaz de tudo; o corpo só obedece. Outra lição importante foi a de que o tempo é o senhor de tudo. Nada acontece do dia para a noite. Eu não comecei a correr de um dia para o outro. Não me tornei maratonista de uma hora para a outra. Não me curei de lesões em um passe de mágica. Assim como tudo na vida, o esporte ensina que tudo tem seu tempo. E ele realmente é o senhor de todas as coisas”.

Com a crença de que “o impossível é apenas uma questão de tempo”, Dani encontrou na corrida a oportunidade de realizar sonhos, superar limites e fazer (mais) amigos. “A Maratona de Buenos Aires foi um sonho que nasceu entre vários amigos que fizeram as provas da Disney juntos e se mostrou uma decisão certa, porque foi uma prova muito especial, principalmente pela presença deles. Eu e mais três amigos fomos juntos durante os 32 km da maratona e eu continuei até a linha de chegada com uma delas. A outra, que corre em um pace menor, veio atrás e nos deu uma lição de perseverança que nunca vamos esquecer. Quem diz que corrida é um esporte solitário nunca correu na vida e nunca teve amigos corredores”.

Sabe de uma coisa? Parece que correr não libera só endorfina. É muito mais que isso. Injeta, como diria Nuno Cobra, a tal da “emoção que faz a vida”.