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Foto: Luciana Cattani
Quando ficou grávida do Alê, a designer Renata era diretora de arte e sócia de uma agência de comunicação. Era apaixonada pelo que fazia e nem se importava em se dedicar ao ofício até altas horas da noite. Como o marido viajava muito a trabalho, sua rotina era bem irregular. A chegada do bebê mudou, literalmente, tudo. 

Após trabalhar até o último dia da gravidez, Renata passou os primeiros meses focada em Alê. Com o tempo, ensaiou um retorno e logo percebeu que não daria certo. “Eu precisava de um tempo para mim e para absorver o tamanho da mudança que meu filho trouxe à minha vida”. Ela decidiu deixar definitivamente o emprego e focar, junto com o marido, na rotina para acolher o novo membro da família. “Para nós, era a coisa certa a fazer naquele momento”.

Aos poucos, ela começou a resgatar e inserir na rotina paixões antigas, como trabalhos mais artesanais. “Fiz quadros em mosaico de papel; inscrevi-me em exposições; voltei a desenhar, recortar e colar… e pintei um tênis”. O marido foi o primeiro a perceber o potencial de negócio naquele All Star estilizado. E ele não estava errado. “Sempre que eu usava o tênis ou mostrava as fotos para alguém, eu acabava voltando pra casa com uma encomenda. Então, nós resolvemos investir”.

Além de se inscrever em bazares, Renata estruturou o negócio: criou logotipo, cartões e embalagens; buscou fornecedores e desenhou os primeiros modelos. Tornou-se ainda mais disciplinada: até hoje, enquanto o filho está na escola, dedica-se à empresa. Seu ateliê é nômade: carrega sempre tênis e canetas na bolsa e no carro.

Para quem acha que uma mulher não ajuda a outra, a fundadora da Pé Com Arte não hesita em dividir sua fórmula com outras mães: “Tem duas coisas que eu acho importantes. A primeira é investir na apresentação do negócio: um visual caprichado faz diferença e transmite ao público a sua visão do que está oferecendo. Não precisa de pirotecnias; boas fotos pra apresentar o produto e uma embalagem legal podem ser o que distancia uma mãe que faz artesanato como hobby de um negócio. A segunda dica é fazer o que gosta. Parece bobo, mas a pessoa precisa pensar que vai repetir a mesma coisa zilhões de vezes no meio da rotina maluca de uma casa com criança. Gosta de fazer sabonete? Pense se vai continuar gostando se tiver que fazer 500 sabonetes por semana”.

Para Renata, o seu negócio de customização de tênis é bem mais que uma forma de expressão. “É colocar a minha arte em algo que vai fazer parte da vida de alguém”.