Lucas sabia que seu destino era diferente do da sua mãe, hipocondríaca, que passou a vida lendo bula e consultando segundas, terceiras e quartas opiniões para doenças que não tinha.

Lucas sabia que seu destino era ser livre, segundo uma triangulação curiosa em seu mapa astral, atestada por dois, três, quatro astrólogos que ele consultou.

Convencido do seu destino, ele resolveu desfrutar dessa liberdade diariamente, embora procurasse nos horóscopos de jornais e sites as respostas para os dilemas da sua vida.

“Deveria trocar de carro?”

“Deveria aceitar aquela oferta de emprego?”

“Encontrei, finalmente, a mulher da minha vida?”

A resposta nem sempre era precisa, o que deixava Lucas desconcertado. O que tinha entendido errado?

Na dúvida, marcava mais uma consulta – ou duas, três, quatro. Esse parecia o seu número da sorte – ou da teimosia. Afinal, sorte mesmo ele nunca teve. A liberdade nunca sentiu, foi isso que ele entendeu.

Pobre Lucas!

De ansiedade ele quase pereceu. Só sobreviveu porque diversas bulas a senhora sua mãe leu. E um remedinho caseiro, em quatro doses, para curar as desilusões prescreveu.