saulo

Como toda paixão, Saulo não sabe explicar como essa surgiu na sua vida. A picada aconteceu, de repente, nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1999, e foi tão forte, que, na época, ele cabulou aulas e passou noites em claro para acompanhar as disputas. Em 2004, nos Jogos Olímpicos de Atenas, ele ficou 15 dias sem pisar na faculdade para desespero da sua mãe. Criou tabelas, acordou às 2h30 da manhã e passou duas semanas em frente à TV.  “É uma emoção muito grande ver o auge dos atletas. Para a maioria, essa é a única chance na vida”, explica. 

Seu batismo em Olimpíadas foi nos Jogos de Inverno de Turim e ele traz de lá uma de suas histórias preferidas. Saulo não estava somente presente quando a carioca Isabel Clark entrou para a história do esporte nacional ao garantir a 9 ª colocação no snowboard. Ele torceu junto com a família e amigos da atleta e invadiu com eles a área delimitada da competição para comemorar a conquista.

Foram 18 dias, correndo de um lado para o outro. Uma maratona que se repetiu seis anos depois, em Londres, em um pace mais intenso: foram mais de 50 provas. Das 17 medalhas conquistadas pelo Brasil, Saulo estava presente em 14, incluindo os 3 ouros. Histórias? Muitas.

Ele estava, por exemplo, em Wembley quando o México tirou da seleção de Neymar o sonho do ouro olímpico. E, ao contrário da maioria dos brasileiros, Saulo nem teve tempo de se lamentar:  cruzou a cidade correndo para entrar em quadra com a seleção feminina do vôlei. “Naquele dia, eu fiquei completamente sem voz”.

A arena estava lotada. A barulhenta torcida brasileira levou um balde de água fria logo de cara: em 21 minutos, as americanas cravaram 25 a 14. “Pensei: vou ter que ver agora uma lavada dos EUA?!”.  Só que não. As brasileiras haviam sido infectadas pelo vírus que causa valentia extrema e leva à superação, sintomas típicos de Olimpíadas.

A Seleção (com S maiúsculo!) virou o jogo, sagrou-se bicampeã olímpica e fez do técnico Zé Roberto Guimarães o único brasileiro tricampeão olímpico. “A energia de uma Olimpíada não tem igual. São 16 dias intensos, com o mundo inteiro concentrado em um mesmo lugar. As pessoas estão extremamente animadas, apaixonadas e felizes, vivendo histórias de superação”.

A maratona para Rio 2106 já começou para Saulo: as planilhas estão montadas e 20 ingressos já foram comprados. O seu sonho olímpico também incluiu um vestibular: ele foi um dos 250 mil candidatos a 70 mil vagas como voluntário. Já passou por três peneiras para ocupar uma posição que ele nem sabe qual é, pois o voluntário não escolhe onde será alocado – pode ser no hotel, no aeroporto, na vila olímpica ou em qualquer outro lugar. “O importante é ter a chance de receber o mundo e representar o país”.

Até lá, Saulo aquece os motores no blog Os Olímpicos, onde compartilha novidades sobre as modalidades e os atletas. Apostas? Ele tem as suas: fala em até 29 medalhas para o Brasil, sendo de 9 a 10 de ouro. Quando deixa o coração falar mais alto, revela que torce para Thiago Pereira, Etiene Medeiros, para Martine Grael e Kahena Kunze, para Isaquias Queiroz, para a seleção feminina de vôlei, a de handebol e a ginástica. E se nada disso se concretizar?

Não importa. O sonho de Saulo é aplaudir a superação do ser humano. Seja ela qual for – no alto do pódio ou na vida.