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Doce Viagem

O melhor da vida na nuvem

Autor

Tati

Para refletir

Pixabay

Será que adoçamos o sorriso com a mesma intensidade com que salgamos às lágrimas?

Será que sorrimos para a vida com a mesma intensidade com que choramos com a morte?

Será que celebramos a presença com a mesma intensidade com que sentimos a ausência?

Será que desfrutamos da calmaria com a mesma intensidade com que mergulhamos na tormenta?

Será que abraçamos o desconhecido com a mesma intensidade que nos agarramos ao conhecido?

Será que confrontamos os (re)começos com a mesma intensidade com que nos deparamos com as despedidas?

Será que contemplamos o invisível com a mesma intensidade com que cultivamos o visível?

Será?

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Passeio no Parque

Deixo a casa sozinha sem fone de ouvido, sem documento, condenada a desfrutar da minha própria companhia, do anonimato como uma fuga da rotina. Cruzo ruas e pensamentos, desvio de carros e sombras, reparo nas cores e ruínas de uma cidade que insiste em me lembrar da constante transição da vida.

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Costura

Fonte: Etsy

Reforcei todos os botões

para confinar a emoção

presente em meu coração

sobre uma camada tênue de erudição

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Ainda há tempo

Salvador Dalí

Rabisquei uma oração
para acalmar meu coração
após ver as notícias na televisão

Bem que eu gostaria
de escrever uma poesia
que suavizasse minha ira

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A liberdade entre bulas e astros

Lucas sabia que seu destino era diferente do da sua mãe, hipocondríaca, que passou a vida lendo bula e consultando segundas, terceiras e quartas opiniões para doenças que não tinha.

Lucas sabia que seu destino era ser livre, segundo uma triangulação curiosa em seu mapa astral, atestada por dois, três, quatro astrólogos que ele consultou.

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Oração à Primavera

Marc Chagall: Bouquet rose sur fond bleu

Fiz uns minutos de silêncio

para acolher a chegada dela

e honrar a despedida

de mais uma fase vivida

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Para acolher novos tempos

O pequeno feixe de luz que atravessava o quarto empoeirado por uma fresta da janela era uma presença solitária naquela casa amargurada pelos ventos opostos que insistiam em chacoalhar sua estrutura.

O clima naquela região do país havia mudado bruscamente – a primavera, em vez de colorir e perfumar os ambientes, ressecava as paredes externas, que despelavam em camadas cada vez mais profundas; o verão, agora de escassas tempestades, expirava para dentro da casa o cheiro de mofo das memórias de dias felizes cada vez mais distantes; as rajadas de vento do outono rasgavam os papéis de parede, expondo feridas antigas, mas ainda presentes no concreto esfacelado; o inverno, enfim, selava os ecos das sombras durante as noites extensas e geladas da mais pura solidão.

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Entre

Fico pensando no vício do imediatismo, como queremos tudo para ontem, para não perder tempo, ainda que o tempo já esteja irremediavelmente perdido.

Fico pensando nessa insistência pela recompensa, como se nosso cérebro só operasse sob essa condição, como se fôssemos seres onipotentes, controladores de tudo e de todos.

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