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Doce Viagem

O melhor da vida na nuvem

Autor

Tati

Desafogo (IV-IV)

A vida sempre cobra um preço

há ganhos e prejuízos

sou dona do meu tempo

mas sou órfã de filhos

*

Um amor que não experimentarei

um colo que não darei

uma parte de mim que não doarei

um legado que não deixarei

*

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Desafogo (III-IV)

Minha solidão não é deserto

não sou um terreno de terra batida

construo diariamente o meu templo

sobre terra fértil e bendita

*

Eu estou solteira

eu não sou solteira

A vida não é ciência exata

o caos tem lá a sua graça

*

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Desafogo (II-IV)

Por maior que seja o meu desejo

nunca me deixei levar pelo medo

nem pela pressa ou pela ansiedade

mesmo sob a pressão da idade

*

Quero ainda andar de mãos dadas

quero ainda dormir de conchinha

quero ainda ser amada

quero ainda ter e ser companhia

*

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Desafogo (I-IV)

Escrever essas palavras

há tanto engasgadas

só me torna mais forte

me traz liberdade e sorte

*

Avancei na idade adulta

sem compromisso ou casamento

a mulher que vive avulsa

levanta questionamentos

*

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Poeta II

No supermercado, enquanto cheirava as mangas, Ana encontrou aquele que parecia ler sua alma nos livros e posts que escrevia e publicava.

Aproximou-se do poeta, perdido entre peras e melões. Ela nem esperou que ele se decidisse. Disparou a falar com o dedo à altura do seu discreto nariz:

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Poeta I

Todos os dias ao acordar Ana corria para a internet. Não se importava com as notícias, não lia o horóscopo, consumia somente poesia. De um único autor.

Naquela manhã, ele tinha postado uma carta de amor. Cada palavra parecia datilografado no coração de Ana:

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O invisível

Ela saiu da reunião e logo trocou o salto pelo tênis. O céu riscado chorava lágrimas finas, tão diferentes daquelas que Juliana segurava dentro de si. Ela respirou fundo e sentiu a bile da rejeição subir à boca. Era só mais um dia de autoestima dilacerada, pensou.

Procurou na bolsa a sombrinha, deixada no conforto do sofá de casa. Enfrentou a rua com a cabeça erguida – não por orgulho, para sobrevivência. A cada passo sua roupa ficava mais encharcada; sua alma, mais pesada. Resistir era exaustivo.

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Chiquinha Gonzaga

Foto: @imoreirasalles, que torna disponível na internet seu acervo de manuscritos e partituras de Chiquinha.

“Eu não entendo a vida sem harmonia”, informou ao marido Francisca Edwiges Neves Gonzaga, a Chiquinha Gonzaga, autora da primeira marchinha de carnaval e a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Ela se separou daquele homem com quem foi obrigada a se casar aos 16 anos de idade. Não foi fácil. Teve que deixar os filhos e foi considerada morta pelos pais. Para (sobre)viver, dedicou-se à música que transbordou cedo do seu coração – aos 11, compôs sua primeira canção. Imagine quantas críticas ela ouviu e ainda hoje ouviria.

Que mãe é essa? Que mulher é essa?

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