
Mais um dia
de silêncio exterior
de balbúrdia interior
de asfixia

Mais um dia
de silêncio exterior
de balbúrdia interior
de asfixia

Quando foi que deixamos de nos maravilhar com a vida?
Quando foi que deixamos de enxergar o sol que pinta de dourado tudo que toca?
Quando foi que deixamos de notar as nuances de azul em um céu de outono?
Quando foi que deixamos de sentir o perfume que a terra exala ao ser tocada pela água gelada e cristalina?
Quando foi que deixamos de perceber como as folhas e flores reagem a convidados inesperados que em sua superfície pousam?
Quando foi que deixamos de sentir o beijo do vento em nossa face e o cuidado da terra sob os nossos pés?
Quando foi que deixamos de ouvir o canto da natureza e a melodia dentro de nós?
Quando foi que deixamos de olhar para o outro, sentado bem ao nosso lado?
Quando foi que deixamos de apreciar o calor do toque, o som da palavra, o brilho no olhar?
Quando foi que deixamos de apreciar o tempo que nos foi dado?
Quando foi que deixamos de nos sentir parte desse Todo?
Quando foi que deixamos de viver em sintonia?
Quando foi de que deixamos de brincar, de respirar, de conviver?
Quando foi?

Se posso fazer-te um pedido, peço que me respondas: Como fazer as pazes contigo e encontrar um abrigo para tantas prisões que levo comigo? Continuar lendo "A Ti, Tempo "

Eu sempre fui fascinada por manuscritos. Sinto neles o convite para mergulhar no mundo do artista ou a prova de que a magia existe e é produzida diretamente no coração e na imaginação do ser humano. Não dá esquecer o esforço e a persistência – afinal, muitas ideias (de livros a engenhocas) nascem de rabiscos feitos em um mísero pedaço de papel. Nem tudo vem à público, nem tudo tem um intuito comercial. É somente uma forma de desenvolver um raciocínio; de perpetuar um sentimento ou uma memória; de organizar as emoções, os fatos, as dívidas, os sonhos. Continuar lendo “Manuscritos são bem mais que rabiscos”

Não sei se é a idade
Mais um traço da minha personalidade
Ou só mais uma vontade
Sei que depois de muito tempo
E de tanto sofrimento
Encontro acolhimento
Não é como imaginava
Nem como desejava
É um processo solitário
E extremamente necessário
É no silêncio profundo
Ou mesmo em uma caminhada
Que encontro o caminho
Para a paz tão almejada
É assim que capto o encanto
Nem que seja momentâneo
Do que é verdadeiro
E do que se precisa
Para ser inteiro
É como se o tempo parasse
E tudo se tornasse mais vivo
Um remédio tão primitivo
Que limpa tudo o que é nocivo
E deixa o mundo mais colorido
Acredite
Não há nada parecido
Pode-se rodar o mundo todo
Conquistar likes a rodo
Gastar rios de dinheiro
Sem que nada disso
desfaça o nevoeiro
Por isso
Rasgue já qualquer roteiro
Basta manter-se em silêncio
Para deitar no travesseiro
E sentir muita paz
Apesar de todos os mas

Para mim, a escrita é que nem arroz e feijão
não foi feita para arrancar suspiros
mas para acalmar o coração Continuar lendo “A Escrita”

Dizem que a gente tem que aprender a silenciar em qualquer lugar – até no trânsito ou no escritório, nem que seja por um minuto apenas. Na praia, porém, é muito mais gostoso, principalmente depois de uma caminhada. Parece que uma parte da carga já foi descarregada e tudo fica mais fácil – respirar, escutar, se entregar. Continuar lendo “O amor é uma via de mão dupla”