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Foto: Dimitris Vetsikas/Pixabay

Se posso fazer-te um pedido, 
peço que me respondas:
Como fazer as pazes contigo
e encontrar um abrigo 
para tantas prisões que levo comigo?



Não basta roubar-me a jovialidade?
Tens que me dar um vislumbre da liberdade
e a perda de tantas possibilidades,
da espontaneidade, 
e da suavidade 
nessa luta ferrenha para preservar a minha individualidade?

És testemunha
do tanto de egocentrismo, 
conformismo, 
escapismo,
falta de compromisso,
escassez de empatia e romantismo...
Cadê o humanismo?
Haja misticismo!

Parece que minhas vísceras estão retorcidas,
mal desce a comida, 
tampouco as palavras são digeridas
e as noites bem dormidas.

Se tu soubesses...
que não sou só eu que estou sofrendo
por ver-te assim correndo,
tão sem freios, 
escancarando bloqueios,
expondo medos, humores e segredos,
desafiando o limite,
exigindo mudanças
e obrigando todo mundo a entrar na dança,
até quem não se permite.

Se posso te fazer um pedido,
não sejas assim tão perdulário,
não aguento mais esse calvário
nem te ter como adversário.

Desculpe o desabafo,
mas preciso de um abraço
e ressignificar o nosso laço.
Porque há dias, acredite, que eu mesma me esqueço
do motivo pelo qual eu faço o que eu faço,  
vivendo assim em um eterno cansaço. 

Sinto-me uma sobrevivente 
e por isso peço que aceite esse bilhete,
um simples gesto de alento,
pois me serve de lembrete
de que não vale a pena tanto sofrimento. 

Vixe, eu sei que não há um caminho perfeito
e juro que não escrevo essas linhas por despeito,
sou grata demais por tudo que tenho.
É que para desanuviar mesmo o meu peito, 
eu preciso lhe dizer do que suspeito: 
se todo mundo se dispusesse a fazer um pouco direito
esse mundo, essa vida podia ter é jeito.

Ah, como eu queria acertar em cheio, 
desviar-me do tiroteio
e levar a vida como um eterno veraneio!

Assim
nada te peço, 
só me despeço,
com todo meu respeito, 
deixo aqui um beijo, 
um suspiro 
e o agradecimento 
desse ser tão imperfeito.