IMG_8113

Não existe, talvez, sentimento mais desesperador do que estar insatisfeito com a própria vida. Há quem busque incessantemente um culpado para isso: o Universo, os outros ou até o próprio corpo. Pense bem: por trás de cada dieta maluca e restritiva, há sempre a promessa de felicidade, que extrapola a conquista do corpo considerado perfeito. Velma não correu atrás disso, mas acabou esbarrando em outro segredo ao longo do caminho.

Em 2013, ela decidiu fazer a cirurgia bariátrica. Era casada, tinha uma empresa, era bem sucedida e, principalmente, feliz. “Quando eu tive a perda de peso, as pessoas começaram a me olhar de outra forma, como se eu fosse mais capaz de fazer algo. Eu sempre fui. Por isso, eu falo que as pessoas não podem deixar a obesidade interferir na felicidade, porque, de fato, são quilos. Isso não determina quem eu sou, o que eu vou fazer, o que eu posso fazer ou o que eu desejo.”

Velma enxergou naquele procedimento cirúrgico o que ele é: não a solução para o problema de obesidade, mas uma ferramenta de mudança de vida. Ela não queria virar modelo; seu objetivo era ser mais ativa e, principalmente, mais saudável. Esbarrou em várias fórmulas prontas, que alteram a “normalidade” da vida. Veio, então, o clique: sair da inércia física e/ou emocional, sem desrespeitar os limites individuais. A regra é clara, Galvão: pequenas mudanças na rotina formam, ao longo do tempo, novos hábitos e grandes transformações.

“Meu hábito hoje é comer pão integral. Eu gosto desse tipo de pão e o prefiro, porque, lá trás, eu me obriguei a comer pão integral por um tempo”. Ela também já incorporou outro hábito à sua rotina: atividade física. Sabe aquela que dá uma preguicinha e até uma aversão? Então, ela começou aos poucos, caminhando 15 minutos por dia, no seu ritmo, abraçando aquele momento como sendo só seu. Hoje Velma recomenda para todo mundo e não é à toa: ela já participa de corridas de rua de 5 km. “A grande questão é a persistência, a insistência.” É dar-se a oportunidade de, nas palavras dela, abrir “caminho para outras pequenas mudanças na sua vida sem gasto, sem dor, sem dilemas.”

A história de Velma inspirou outras pessoas, cresceu e ganhou até nome: Desroliçar. “O conceito de roliço deixou de ser só peso em massa corpórea. Ele passou a ser os pesos que a gente carrega na vida: as desilusões, as tristezas que você vai carregando e vai engordando disso tudo. O Desroliçar propõe por meio da atividade física que você também se dê um tempo, olhe pra você, olha o que te faz bem e o que não”.

O segredo descoberto por Velma pode ser resumido em uma palavra: movimento. “Esta é uma palavra importante, porque dá a sensação de que nada termina ou para”. É o movimento, qualquer que ele seja, que não nos deixa estacionar na vida. E, pela experiência da Velma, ele pode transformar o seu mundo e o de quem está ao seu redor.