O fracasso pode ser assustador, mas nada causa mais medo que o desconhecido. É preciso coragem para enfrentá-lo e, principalmente, para não dar ouvido às vozes contrárias. Adriana sabe bem disso: ela abandonou o curso de Direito quando faltava apenas um ano para se formar.  Foi chamada de irresponsável, mas seguiu em frente e não desistiu até encontrar o seu próprio caminho.

Aos 18 anos, Adriana escolheu ser advogada porque “achava uma profissão bonita, queria status e uma vida de glamour”. Na medida em que o curso foi avançando, ela começou a se questionar se aquela era mesmo a sua vocação. “Como tudo na vida, o ideal é muito diferente do real”. Sua frustração aumentou na época do estágio e quando ouviu de uma professora que “deveria ter cursado Ciências Sociais e não Direito”.

Quando o filho nasceu, Adriana desistiu definitivamente da carreira na qual não se encaixava. “Para os outros, eu agi como alguém irresponsável; para mim foi tirar um peso das costas”.

Nesse passo incerto, ela descobriu a si mesma. “Na convivência com o meu filho, eu vi que gostava de lidar com crianças”.  Ingressou, então, em Pedagogia e passou a dividir seu tempo entre duas turmas  de educação infantil – uma composta por crianças de dois anos e a outra, de seis anos.  

Ela nem se deu conta, mas lembra aquele desejo por status e glamour? Eles foram conquistados espontaneamente, de uma forma mais autêntica, e estão expressos em seu propósito, nas relações que constrói e na transformação que seu trabalho provoca.

Todos os dias Adriana é saudada carinhosamente pelas crianças – algumas nem frequentam mais a sua sala de aula. “Nós construímos uma relação afetiva que envolve amor e emoção e vai muito além do transmitir conhecimento”.  Com uma das profissões mais nobres da humanidade, ela ajuda a moldar a visão, as experiências e a identidade da nova geração. “É muito gratificante acompanhar o desenvolvimento deles – ver como chegam e o quanto crescem ao longo do ano”, diz a professora que, com muito pique, lança mão do lúdico para ensinar seus alunos. “Gosto de cantar e contar histórias. Sou uma palhaça. Não combinaria com o ramo jurídico”.

Com a coragem de quem mudou de ideia para ser mais feliz, Adriana recomenda o autoconhecimento a quem está prestes a escolher ou trocar de profissão. “Você tem que fazer algo que tenha a ver com você, com a sua personalidade, com os seus sonhos e os seus ideais”.  Esse caminho pode ser meio tortuoso, como mostra a experiência de professora, mas ela garante que vale a pena.  “Eu me sinto feliz e realizada”.  Parodiando a escritora belga Marguerite Yourcenar, é preciso um golpe de irresponsabilidade para se construir um destino.