Em outros tempos, em uma outra época, a gente se encontraria em um café despretensioso, onde você notaria como brinco com a colher, só para acariciar o café amargo, em um súplica silenciosa para ter coragem para fitar seus olhos.
Continuar lendo “O primeiro encontro”
A gente não gosta de pensar na morte
porque ela representa um corte
só que talvez não seja assim
ela pode não ser um fim
Continuar lendo “O Adeus”Talvez você não reconheça o nome dela, pois na escola ela não rendeu matéria. Se fosse em outro país, sua história certamente já teria ganho as telas.
Todo mundo sabe que no século XIX o Brasil era outro. Às mulheres dava muito desgosto – principalmente, àquelas que, como Maria Quitéria, tinham muito na mente e medo nenhum de ser independente.
Continuar lendo “Maria Quitéria”Em 2 de setembro, há 199 anos, d. Leopoldina, nomeada princesa regente do Brasil por D. Pedro I, em viagem a São Paulo, reuniu o Conselho de Estado e, diante das notícias vindas de Lisboa, recomendou em carta ao marido a proclamação urgente da independência brasileira.
Uma carta. Uma carta bem escrita mostrou que a princesa, de educação fina, já não era mais menina.
Continuar lendo ““Meu amigo, ela devia ser ele.””Margaret ganhou esse nome em homenagem a uma antropóloga famosa de quem seu pai, professor de História, era grande admirador. Foi com ele que ela aprendeu a estudar hábitos e costumes de civilizações antigas, vibrando com cada descoberta de pesquisadores, arqueólogos e cientistas. Com a mesma curiosidade com que investigava o passado, ela também passou a observar o presente. Deslumbrava-se com as semelhanças entre a sua geração e aquela que visitava nos livros e museus.
Continuar lendo “Caçadores-coletores”Julia e Juliana eram gêmeas idênticas – pelo menos, na aparência. Mais velha, Julia vivia no futuro, listando onde queria estar nos próximos 5 e 10 anos. Mais nova, Juliana vivia no presente, desapegada do relógio, dedicada ao agora.
Julia vivia uma ansiedade incondicional, perseguindo o que queria implacavelmente, insatisfeita com o ritmo e com os resultados, ainda que temporários. Juliana vivia uma tranquilidade incondicional, uma tarefa por vez e uma fé inabalável na conspiração arquitetada pelo Universo para suprir suas necessidades.
Continuar lendo “As gêmeas”Pedro sabia que era um cara de sorte, mas não imaginava quanto. Quando o isolamento social começou, ele montou um verdadeiro bunker em casa: congelados no freezer, cadeira gamer, tela extra e cerveja, cerveja e mais cerveja. Virou um maratonista: de trabalho; de séries e filmes na Netflix; de lives e cursos dos mais variados. É preciso colocar nessa lista as conferências, não só de trabalho, mas com diferentes grupos, de familiares e amigos, para comentar tudo o que acontecia. Uma atrás da outra. Sem parar.
Continuar lendo “A queda do bunker”Era assim que João era conhecido no bairro onde morava. Trabalhou a vida inteira em um banco. Sua dedicação era elogiada pelos chefes: era o primeiro a chegar e o último a sair. Mal almoçava e férias, bem, essas ele fingia que desfrutava, porque continuava a frequentar o banco, só para desafogar os colegas e atender clientes preferenciais.
Nunca se casou. Com os vizinhos, por falta de tempo, era monossilábico. Não tinha amigos e até a família ele tratava como os clientes – com simpatia, na mesa de trabalho, tentando resolver mais de um problema ao mesmo tempo. Não sabia agir de outra forma. Não sabia viver de outra forma. Ao trabalho se resumia a sua vida; o banco era o seu sobrenome. Até o dia em que sua ausência foi sentida. Onde estava João?
Continuar lendo “O banqueiro”






