
Mais um dia
de silêncio exterior
de balbúrdia interior
de asfixia

Mais um dia
de silêncio exterior
de balbúrdia interior
de asfixia

Nem nesse período de isolamento social, a Professora Lúcia deixa de produzir. Ela não está cruzando o Brasil, de ponta a ponta, como costuma fazer, mas continua gerando conteúdo, promovendo palestras e participando de lives que desembaraçam Platão, Aristóteles, Cícero, Kant e outros tantos filósofos capazes de nos ajudar a compreender esse momento. “O grande desafio será, com certeza, reconstruir a vida quando a avalanche passar. Muita gente desempregada e faminta, e poucas soluções a curto prazo. É impossível pensar que as autoridades resolverão tudo, que “não é problema meu”. A autoridade que resolve, aí, é a humana, ou seja, a responsabilidade por sermos o que somos: seres humanos.” Continuar lendo “A realidade à luz da filosofia”

Roberta nunca se esqueceu das visitas que fazia à casa da avó quando era criança. Ela nem sabia ler, mas já gostava de se acomodar junto à estante de livros. Lembra-se do esforço que fazia para segurar aqueles volumes de capa dura do Sítio do Pica Pau Amarelo, de Monteiro Lobato. Cada página que virava era um tesouro que ela desenterrava. O cheiro abafado, aqueles que só os livros antigos sabem exalar, entorpecia a imaginação da menina, que degustava o formato das letras e se divertia com as ilustrações. Ali, meio sem querer, como uma brincadeira, Roberta abriu o primeiro de muitos portais mágicos de histórias.  Continuar lendo “Como a leitura frutifica”

Como quase todo mundo, Aline sente dificuldade de se definir. Quando reflete sobre a sua jornada, ela só enxerga um processo lento, mas contínuo e muito sutil. Tudo lhe parece tão familiar, tão íntimo e intrínseco, que nem repara na beleza da sua narrativa. “Venho de uma família de imigrantes, de pessoas muito simples, mas com uma atitude muito positiva e otimista perante a vida, dispostas a estarem juntas, trabalharem e serem pessoas melhores. Minhas avós (tanto materna quanto paterna) eram apaixonadas por plantas e sempre tinham alguma pomada para picada de insetos (se bem que o perito mesmo era o meu avô Humberto) ou chás para isso e para aquilo. A minha mãe estava sempre experimentando flores do sítio para preparar perfume. Seu aroma favorito era da flor de coqueiro. Hoje vejo que várias pequenas coisas foram acontecendo ao longo da minha vida e que todas, mesmo as mais simples, me levaram para o caminho que trilho hoje.” Continuar lendo “O Sal da Terra”

Para alguns, o Copo da Felicidade leva creme de leite ninho, morango, mousse de chocolate e brownie; para outros, creme de Nutella, doce de leite e pão de mel. A Fran tem essas receitas todas – e outras também. Continuar lendo “O Copo da Felicidade”

Assim explicou Don McLean a criação de Vincent, tributo que prestou na década de 1970 a Van Gogh[1]. A ideia surgiu, segundo o compositor, após ler uma biografia do pintor holandês. Em entrevista ao inglês The Telegraph, ele confessou que ficou tão tocado pela história que decidiu desmistificar o mito de que Van Gogh era louco[2]. Continuar lendo “[Músicas e Histórias] “Eu deixei a pintura compor a canção para mim””

Quando foi que deixamos de nos maravilhar com a vida?
Quando foi que deixamos de enxergar o sol que pinta de dourado tudo que toca?
Quando foi que deixamos de notar as nuances de azul em um céu de outono?
Quando foi que deixamos de sentir o perfume que a terra exala ao ser tocada pela água gelada e cristalina?
Quando foi que deixamos de perceber como as folhas e flores reagem a convidados inesperados que em sua superfície pousam?
Quando foi que deixamos de sentir o beijo do vento em nossa face e o cuidado da terra sob os nossos pés?
Quando foi que deixamos de ouvir o canto da natureza e a melodia dentro de nós?
Quando foi que deixamos de olhar para o outro, sentado bem ao nosso lado?
Quando foi que deixamos de apreciar o calor do toque, o som da palavra, o brilho no olhar?
Quando foi que deixamos de apreciar o tempo que nos foi dado?
Quando foi que deixamos de nos sentir parte desse Todo?
Quando foi que deixamos de viver em sintonia?
Quando foi de que deixamos de brincar, de respirar, de conviver?
Quando foi?