Nem só de História e ginjinhas vive Óbidos. Ao lado das muralhas do castelo, na antiga igreja de Santiago, hoje uma livraria, reside uma rendeira de fios e versos chamada Natália Santos. Ela se instalou no antigo coreto a convite da Câmara da cidade em 2015. Desde então, recebe os visitantes com um sorriso nos lábios enquanto tece poesia e entrelaça fios dourados e prateados, vendidos como uma joia única.
Continuar lendo “A poeta rendeira de Óbidos”
Gonçalo Anes é conhecido na terra de Camões como Bandarra, palavra relacionada à boemia ou vadiagem, segundo me contaram lá na sua terra, a aldeia de Trancoso. Ele ganhou tal acunha pelas noitadas nas tabernas, o que de forma alguma o definiu. Nascido no fim do século XV, esse personagem tornou-se uma figura ilustre na sua região e no seu país.
Continuar lendo “O que sobrevive”O céu ainda está escuro quando ele se senta em frente à janela do segundo andar do sobrado cor de terra. Passa o dia a observar o horizonte, sem esboçar uma reação, além de um discreto sorriso, perceptível pela covinha atrevida na bochecha direita. Parece inerte, quase apático, mas a verdade é que o seu interior está inundado pelo mundo à sua frente – a temperatura, os cheiros, os barulhos, os seres.
Continuar lendo “A janela no homem”
Quase 23 horas. O sono já bate à porta, mas sou sequestrada por aquela vontade de escrever aleatoriamente, sem julgamento, sem rumo. Brota em mim como desejo incontrolável de grávida, que parece não ter sentido, mas pulsa com um único propósito: realização.
Ou será simplesmente satisfação?
Continuar lendo “A escrita noturna”“Sou completa”, disse a elegante senhora, sem falsa modéstia ou arrogância. Artista plástica, ilustradora e escritora, Marina Colasanti, a dona de quatro Jabutis, entre outros prêmios, encanta com a sua sabedoria e simplicidade.
Aos 85 anos, ela tem a elegância de quem não se rende a modismos, de quem não quer convencer ninguém de nada, muito menos carregar ideias ou palavras de outras pessoas só para agradar ou se sentir parte de algo. É daqueles raros seres que mais querem ouvir e refletir do que falar, mesmo sendo o centro e a razão de encontros como o promovido pela Casa Museu Ema Klabin, um dos espaços mais privilegiados, em todos os sentidos, de São Paulo.
Continuar lendo “Um encontro com Marina Colasanti”A jovem sentada à beira do rio tinha os olhos no balanço das águas ou, pensei, nas batidas da música que escapava pelos discretos fones. Seu cabelo liso escondia o rosto lavado por lágrimas, derramadas por um passado que teimava em se fazer presente. Seu olhar não conseguia disfarçar a tristeza que lhe acometia e que por tantos passava despercebida.
Continuar lendo “O rio”As estações da vida
não são como as da natureza
são menos definidas
repletas de incertezas
É difícil olhar adiante
pois tudo muda de repente
um único instante
parece durar para sempre
Continuar lendo “Estações da Vida”Tirei essa foto na porta de uma igreja enquanto espiava o casamento de um jovem casal. O noivo chegou acompanhado dos amigos, em motos que rosnavam. A noiva foi mais discreta, em um carro pequeno, onde só havia espaço para ela e os pais. Quando entrou na igreja, ele chorou copiosamente. As lágrimas de amor dele provocaram os neurônios-espelho dos demais, inclusive de quem nem os conhecia. 0/
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