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Blog Mais um Café?

Um senhor de 90 anos

Na foto, em sentido horário, Izabel, Josefina, Leolinda e Bertha, as nossas sufragistas.

Minha avó nasceu pouco mais de 40 dias depois dele, cujos descendentes cismam em reduzir a História às páginas amareladas dos livros. E é neles que encontramos suas raízes, em uma monarquia que se recusava a reformular o sistema eleitoral. Em 1887, a dentista Isabel de Souza Mattos evocou uma lei e mostrou seu título científico para ter um registro, mas de nada adiantou.

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24 horas depois

Ghostbusters(Os Caça-Fantasmas) / Dan Aykroyd‎

Oito horas depois daquela barata cruzar o caminho de Laura, ela ligou para a empresa de dedetização, cujo anúncio havia sido fixado três semanas antes no elevador do prédio.

Uns disseram que era exagero dela; outros, mais inclinados a teorias da conspiração, que havia sido uma jogada de marketing para que ela sentisse a necessidade e adquirisse o serviço.

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Noite do terror

Scream (Pânico) / Drew Barrymore

23 horas no relógio. Laura só queria chegar em casa, tirar uma cerveja da geladeira e comer uma fritura que anestesiasse o estresse de um dia que nunca amanheceu – afinal, foi acordada pelo chefe asiático às 3h30 para gerenciar uma crise sem fim.

Quando enfim voltou para casa, percebeu que a porta estava destrancada. Gelou. Deixou a bolsa no hall e entrou devagar, com os sapatos de salto alto nas mãos. À medida que avançava, acendia as luzes dos cômodos. Sala? Livre! Cozinha? Livre? Banheiro? Livre! Quarto? Liv…

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Reflexões sob o poder de uma agulha

Conheça o trabalho incrível da Lucia Heffernan

O acupunturista me perguntou se eu penso demais. Oras, não é isso que a gente faz? Ok, eu também penso enquanto durmo: nos problemas ou no que considero problemas. Às vezes, questiono o sonho, como se estivesse diante de um roteiro nada plausível. “Ei, mas o que essa pessoa está fazendo aí?”. Para quem lanço essa pergunta? Seria para mim mesmo? Seria para os algoritmos controladores de sonhos? Lembrei-me de um médico, que não era da cabeça, ou era?, que me perguntou se eu era muito estressada. Oi? “Alguém já respondeu que não, doutor?” Fui mais fundo, mais fundo…

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Reflexões de um passado presente

Wikipedia – Edição de Meditações de 1811, em Inglês.

Entre os livros de não-ficção mais vendidos nos últimos meses de 2021, segundo o PublishNews, está Meditações, do imperador romano Marco Aurélio, uma das obras mais conhecidas da filosofia estoica. Reza a lenda que seu autor, famoso por ter humanizado o poder, apesar das guerras sangrentas que liderou, o concebeu como um conjunto de reflexões a serem entregues ao filho Cômodo após a sua morte.

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Bailando pelo papel

Chego ao fim de mais um caderno, por cujas pautas ensaiei quem fui, quem sou, quem sonho ser e quem, talvez, nunca serei. Afinal, não decorei a coreografia e, por vezes, me perdi em um passo diferente, seguindo um compasso sussurrado, quem sabe, pelo vento. Aprendi com Clarice que nada às vezes faz sentido, nem precisa fazer eternamente – basta um instante, um instante de um segundo, um minuto, uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano, uma vida. Sem sapatilha, suja de tinta, sigo a melodia silenciosa, ou talvez seja misteriosa, porque parece que ninguém mais a escuta, só meus pés a conhecem, só minha mão direita é capaz de traduzi-la. Uma confusão única, obra de uma existência.

Esse post foi originalmente publicado no blog Mais Um Café?

Quem Eu Sou

Não sou um deserto

Sem sentimento

Sem horizonte

Sem casamento

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Vamos conversar sobre Clarice Lispector?

Tela “Pássaro da Liberdade”, por Clarice Lispector (IMS)

Foi Caio Fernando Abreu quem melhor expressou o que eu sentia sobre Clarice Lispector. “Ela é demais estranha”, escreveu à Hilda Hist. “Ela é exatamente como seus livros: transmite uma sensação estranha, de uma sabedoria e de uma amargura impressionantes. (…) Tem olhos hipnóticos quase diabólicos.”

É claro que eu não cheguei a conhecê-la pessoalmente e, talvez, por isso nunca tenha tido “febre e taquicardia” como o escritor gaúcho. Só que ela também sempre causou em mim uma perturbação com seus textos, suas analogias profundas, suas personagens sofridas, suas frases enigmáticas e seus desabafos literais. Eu nunca consegui dizer “gostei”, mesmo compartilhando, vez ou outra, daquela “felicidade clandestina”.

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