Sou óbvia, sou única
Sou fria, sou úmida
Sou uma praia paradisíaca
Sou areia movediça
Continuar lendo “Quarta-feira de Cinzas”Sou óbvia, sou única
Sou fria, sou úmida
Sou uma praia paradisíaca
Sou areia movediça
Continuar lendo “Quarta-feira de Cinzas”
Às vezes, as palavras ficam entupidas. Não é um simples bloqueio criativo; é uma obstrução provocada pela recusa dos neurônios a fazer certas sinapses. Talvez haja algo que ainda não pode ver a luz do dia; talvez esse algo esteja ainda sendo gestado.
Continuar lendo “U m m i n u t o d e c a d a v e z”depois de dois verões
o inverno chegou
a neve lá fora
alonga os minutos aqui dentro
Continuar lendo “Folha em branco”“Sou completa”, disse a elegante senhora, sem falsa modéstia ou arrogância. Artista plástica, ilustradora e escritora, Marina Colasanti, a dona de quatro Jabutis, entre outros prêmios, encanta com a sua sabedoria e simplicidade.
Aos 85 anos, ela tem a elegância de quem não se rende a modismos, de quem não quer convencer ninguém de nada, muito menos carregar ideias ou palavras de outras pessoas só para agradar ou se sentir parte de algo. É daqueles raros seres que mais querem ouvir e refletir do que falar, mesmo sendo o centro e a razão de encontros como o promovido pela Casa Museu Ema Klabin, um dos espaços mais privilegiados, em todos os sentidos, de São Paulo.
Continuar lendo “Um encontro com Marina Colasanti”A jovem sentada à beira do rio tinha os olhos no balanço das águas ou, pensei, nas batidas da música que escapava pelos discretos fones. Seu cabelo liso escondia o rosto lavado por lágrimas, derramadas por um passado que teimava em se fazer presente. Seu olhar não conseguia disfarçar a tristeza que lhe acometia e que por tantos passava despercebida.
Continuar lendo “O rio”As estações da vida
não são como as da natureza
são menos definidas
repletas de incertezas
É difícil olhar adiante
pois tudo muda de repente
um único instante
parece durar para sempre
Continuar lendo “Estações da Vida”
Neste 21 de setembro, Dia da Árvore, celebro como a nossa relação com o mundo se transforma com o passar dos anos. Na infância, as árvores são um playground. Tá, tá bom, eu confesso que não tinha lá muita competência para escalá-las, mas adorava colher seus frutos, folhas e flores para fazer comidinhas que nem as minhas bonecas engoliam. Quem sabe essa brincadeira inocente já era um presságio de que, adulta, eu me tornaria vegetariana e me divertiria descobrindo novas formas de consumir os mais diferentes legumes e verduras.
Continuar lendo “Dia da Árvore”
Em minha vaga lembrança de menina, minha avó morava em uma pequenina casa de abóbora, em meio a árvores esguias e flexíveis como bailarinas. Em um dia úmido de primavera, convidou-me para um passeio nos fundos, onde o mato estava tão alto que espetava minhas pernas e arranhava os meus braços. Ela parou junto a uma mesa e duas cadeiras já enferrujadas.
Continuar lendo “A quem possa interessar”